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Mundo: Autoridades francesas confirmam 128 mortes em ataques terroristas em Paris

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Paris está novamente sob ataque. Cerca de 10 meses depois do atentado à redação do jornal satírico “Charlie Hebdo”, sete tiroteios foram registrados em pontos diferentes da capital francesa nesta sexta-feira (13). O presidente da França, François Hollande, confirmou na manhã deste sábado (14) que 128 pessoas morreram.

Hollande decretou estado de urgência, o que não acontecia há dez anos, e ordenou o fechamento das fronteiras. “As autoridades devem ser duras e serenas. O que os terroristas querem é nos colocar medo. Temos de mostrar sangue frio diante do terror”, afirmou na ocasião. “Ainda não terminamos as operações, há coisas difíceis pela frente. Eu peço que vocês mantenham a confiança. Viva a República e viva a França.”

Três explosões atingiram a região do estádio Stade de France, em Saint-Denis, no norte de Paris, o momento em que estava acontecendo um amistoso entre a seleção local e a Alemanha. O presidente François Hollande estava na arena e precisou ser evacuado. No primeiro tiroteio, um indivíduo abriu fogo com um fuzil no restaurante Petit Cambodge e, de acordo com a emissora “BFM-TV”, matou “várias pessoas”. Três mortes foram contabilizadas nessa área.

A emissora entrevistou uma testemunha dos disparos no restaurante, Anne-Sophie. “Todo mundo estava do lado de fora, no terraço do restaurante, quando de repente vimos homens mascaradas atirando em todas as direções. Pareceu ter durado muito tempo.” Ela disse que havia “uma quantidade enorme de feridos”.

Depois de muitas horas de insistência, os policiais invadiram a casa de show para resgatar os reféns. No entanto, foi constatado que 100 reféns foram mortos no local. Segundo informações do presidente francês, todos os terroristas que estava no estabelecimento morreram, apesar de não se saber ainda se eles eram suicidas. 

O presidente François Hollande, que chegou ao Bataclan, afirmou que o país será implacável no combate a terroristas, informa Katya Adler, editora de Europa da BBC. Os moradores e turistas foram orientados a não sair às ruas e militares estão espalhados pela cidade.

O editor do programa Newsnight, da BBC, tuíta que nenhum grupo assumiu a autoria dos incidentes em Paris nesta noite, mas que “apoiadores do (grupo autodenominado) ‘Estado Islâmico’ estão comemorando o ataque nas mídias sociais com a hashtag ‘Paris in Flames’ (Paris em chamas)”.

Dois brasileiros foram feridos nos ataques desta noite, disse a cônsul-geral do Brasil na França, Maria Edileuza Fontenele Reis. Eles estavam no restaurante Le Petit Cambodge, um dos locais onde ocorreram tiroteios na capital francesa.

Um dos feridos, um arquiteto que está na cidade para eventos profissionais, levou três tiros nas costas, segundo a cônsul-geral, e está sendo operado neste momento. Seu estado é bem grave, afirmou ela. A outra vítima brasileira, que foi atingida de raspão, seria uma estudante que mora em Paris. De acordo com a cônsul, os dois estariam jantando com um grupo de amigos no local quando houve o ataque.

“Ouvi tiros. As pessoas se jogaram no chão. Colocamos uma mesa sobre nossas cabeças para nos proteger. Ficamos presos no bar porque havia uma pilha de corpos na nossa frente”, disse Ben Grant, que estava em um bar com sua mulher quando um dos ataques ocorreu. Ele disse ter visto seis ou sete corpos no chão e ouvido que os tiros foram disparados a partir de carros.

Outras centenas de pessoas foram feitas reféns em uma casa de show chamada Bataclan. Segundo a “BFM-TV”, ao menos 50 disparos atingiram o local por 10 minutos uma hora após o início de um show da banda californiana Eagles of Death Metal.

A página oficial da banda no Facebook disse: “Ainda estamos tentando determinar a segurança e a localização de nossa banda e equipe. Nossos pensamentos estão com todas as pessoas envolvidas nesta situação trágica.”

Logo após a publicação nas redes sociais, a esposa do baterista Julian Dorio, Emily, disse que todos estão bem. Segundo o The Washington Post, Emily conversou com o músico, que está a salvo, assim como todos os integrantes da banda, que deixaram o local com o início dos disparos.

Pessoas que moram perto dos locais onde ocorreram disparos estão oferecendo abrigo a quem está nos arredores por meio da hashtag #PorteOuverte (portas abertas) nas redes sociais. Segundo relatos do Facebook, taxistas estariam desligando seus taxímetros para levarem as pessoas para suas casas.

Após os ataques, Hollande iniciou uma reunião de emergência no Ministério do Interior. O presidente seguiu depois para o Palácio do Eliseu para uma segunda reunião e foi direto para a casa de shows Bataclan.

O primeiro-ministro britânico David Cameron tuitou a respeito da situação em Paris: “Estou chocado pelos eventos dessa noite em Paris. Nossos pensamentos e orações estão com os franceses. Faremos o que pudermos para ajudar.”

Pelo Twitter, a presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre os ataques na França. “Consternada pela barbárie terrorista, expresso meu repúdio à violência e manifesto minha soliedariedade ao povo e ao governo francês”, publicou na rede social.

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota em que manifesta a “profunda consternação” do governo brasileiro “pela série de bárbaros atentados ocorridos na noite desta sexta-feira em Paris, que resultaram em várias dezenas de vítimas, entre mortos e feridos.”

Ao mesmo tempo em que transmite suas condolências aos familiares das vítimas e empenha sua plena solidariedade ao povo francês e ao Governo da França, o Brasil condena os ataques nos mais fortes termos e reitera seu firme repúdio a qualquer forma de terrorismo, qualquer que seja sua motivação”, diz o comunicado.

Ban-Ki-moon, secretário-geral da ONU, condenou aquilo que chamou de “desprezíveis ataques terroristas”. “Ele exige a imediata libertação das várias pessoas mantidas reféns no teatro Bataclan”, declarou seu porta-voz. “O secretário-geral oferece suas mais profundas condolências às famílias das vítimas e deseja a rápida recuperação dos feridos.”

Os tiroteios reacendem o clima de terror instaurado na cidade em janeiro passado, quando dois homens armados invadiram a sede do “Charlie Hebdo” e mataram 12 pessoas. Dois dias depois, outro jihadista sequestrou um mercado kosher em Paris e deixou quatro mortos. Antes disso, ele já havia matado uma policial durante uma troca de tiros.

*Com Ansa e BBC

Estado Islâmico assume autoria de ataques em Paris

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O Grupo autodenominado ‘Estado Islâmico’ reivindicou a autoria dos atentados em Paris que deixaram ao menos 128 mortos e outros 180 feridos, e disse que eles foram uma resposta aos ataques franceses em seu território.

Os ataques quase simultâneos atingiram seis locais em Paris na sexta-feira (13) à noite – bares e restaurantes movimentados, um show de uma banda americana e a região próxima a um estádio onde era realizado um jogo de futebol amistoso entre França e Alemanha.

Em comunicado, o ‘Estado Islâmico’ disse que seus combatentes “estudaram cuidadosamente” os locais onde foram realizados os ataques, segundo a Reuters. Relatos apontaram que oito homens-bomba e atiradores realizaram as ações. Todos morreram. Não se sabe se outros cúmplices estão foragidos.

Foi o pior ataque na Europa desde os atentados em Madri, em 2004, e o mais violento na França desde a Segunda Guerra Mundial.

Mais cedo, o presidente francês, François Hollande, havia responsabilizado o ‘Estado Islâmico’ pelos ataques, e os chamou de “ato de guerra”. Ele prometeu uma guerra “impiedosa” contra terroristas.

Hollande disse que as ações foram planejadas e organizadas no exterior, com participação de células na França. O presidente elevou o nível de ameaça à segurança ao patamar mais alto, decretou estado de emergência e reforçou o controle de fronteiras do país.

O estado de emergência permite às autoridades fechar espaços públicos, impor toque de recolher e restrições à circulação de veículos e pessoas.

Moradores de Paris foram ordenados a permanecer fora das ruas e cerca de 1.500 militares foram deslocados para a cidade.

Todas as escolas, museus, bibliotecas, piscinas e mercados ficarão fechados neste sábado. Eventos esportivos também foram suspensos em Paris.

Locais atacados
– Bar La Belle Equipe, 11º distrito: ao menos 19 mortos em ataques a tiros

– Bar Le Carillon e restaurante Le Petit Cambodge, 10º distrito, homens atiraram em pessoas que estavam nos dois locais (entre eles dois brasileiros que estão fora de perigo) e deixaram ao menos 14 mortos

– Restaurante La Casa Nostra, 11º distrito: ao menos 5 mortos em ataques a tiros

– Estádio Stade de France, norte de Paris: explosões ouvidos de dentro do estádio, 3 autores mortos

– Casa de espetáculos Bataclan, 11º distrito: homens armados invadiram o local, ao menos 80 mortos

Sequência dos ataques

21h20: Primeiros ataques foram reportados em áreas boêmias não distantes da Place de La Republique, uma das principais da cidade e palco frequente de manifestações políticas e populares.

21h30: Enquanto a seleção do país jogava contra a Alemanha no estádio Stade de France, no norte da cidade, a primeira de ao menos duas explosões foi ouvida. O presidente francês, que assistia à partida, foi retirado do local às pressas.

Segundo relatos ainda não confirmados, houve a ação de ao menos um homem-bomba e ataques a tiros em restaurantes nos arredores da arena.

Após a partida, torcedores ficaram no gramado à espera de informações. Nos túneis, os jogadores das duas seleções assistiam aos desdobramentos da tragédia pela cidade – os alemães permaneceram no local pelo menos até as 2h30.

21:50: Disparos foram registrados em um café ao sul do local onde ocorreram os primeiros atentados. Segundo uma testemunha, dois homens abriram fogo no café.

22:00: A casa de shows Bataclan se tornou palco do pior ataque. Com 1.500 lugares, o espaço estava com todos os ingressos vendidos para a apresentação da banda de rock norte-americana Eagles of Death Metal.

Homens com armas automáticas abriram fogo contra a plateia e fizeram reféns. Duas horas depois, a polícia invadiu o local. Cerca de 80 pessoas morreram.


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