É difícil educar sem a qualificação curricular, o resultado disso será menos jovens nas universidades, enquanto a educação estiver servindo ao sistema político de votos partidários na popularidade dos gestores. No Vale Jiquiriçá, por exemplo, na cidade de Irajuba, 52,6% dos professores atuam sem diploma.
Dados do Censo Escolar 2024, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no último dia 10 de fevereiro, apontam uma realidade preocupante no interior da Bahia: em pelo menos 22 municípios, a maioria dos professores da educação básica atua sem diploma de bacharelado ou licenciatura.
Embora o exercício da docência sem formação superior seja ilegal, é importante destacar que muitos desses profissionais possuem formação técnica para o Magistério, realizada após o Ensino Médio, o que os habilita de forma limitada para a sala de aula.
Segundo informações enviadas pelo Inep ao site Bahia Notícias, cerca de 19,9% dos professores da Bahia — quase um em cada cinco — não possuem diploma de ensino superior. Em algumas cidades, esse índice ultrapassa 50%.
Veja a lista dos municípios onde a maioria dos docentes atua sem formação superior:
• Jitaúna — 67,1%
• Xique-Xique — 62,9%
• Cansanção — 60,6%
• Dário Meira — 60,5%
• Casa Nova — 59,8%
• Aramari — 57,6%
• Banzaê — 56,4%
• Nova Redenção — 56,2%
• Heliópolis — 55,2%
• Ipupiara — 54,8%
• Fátima — 54,7%
• Caturama — 53,7%
• Ibicuí — 53,7%
• Lapão — 53,7%
• Elísio Medrado — 53,6%
• Irajuba — 52,6%
• Potiraguá — 52%
• Maraú — 51,3%
• Rio de Pires — 50,7%
• Nilo Peçanha — 50,6%
• Cícero Dantas — 50,5%
• Barra da Rocha — 50,1%
O levantamento também revela uma disparidade entre áreas urbanas e rurais. Nas zonas rurais, 29,2% dos professores não possuem diploma de ensino superior, enquanto nas áreas urbanas o índice é de 16,3%.
Os dados reforçam o desafio estrutural enfrentado pela educação pública baiana, especialmente no interior, e a necessidade de políticas de incentivo à formação continuada para os educadores.