Romeu, o guardião

É de certo que andar a noite na terra de José Inácio nos dias atuais, tem sido um risco. A disseminação da droga tem levado um crescimento preocupante da criminalidade na cidade e tem tirado a paz e o sossego dos seus moradores. Mas a cidade já viveu dias de paz e lembrou-me muito bem quando ainda é era um molecote, tinha um senhor que morava na Rua Auro Rocha – que na época era a rua que dava acesso a saída da cidade com destino a Maracás -, que chamava-se Romeu. Romeu era um gigante. Os seus quase ou mais de dois metros, já dava-lhe respeito.

Ele tinha várias particularidades e uma delas, era o seu hábito noturno. Dificilmente você o encontra na rua durante o dia, mas a noite, vestia-se de guarda noturno – não pense você que a roupa que Romeu usava era um colete, um emblema, uma arma na cintura, um coturno, algemas e spray de pimenta, nada disso. Era uma calça social cor pérola e um blazer que combinava perfeitamente com a calça, era estiloso – e era ele o guardião da terra de José Inácio. Era respeitado nas suas rondas noturnas. Duas coisas o identificavam perfeitamente: o apito e o charuto.

Quando soava o apito pelas madrugadas, você já tinha a certeza de que Romeu já estava na ativa e mesmo que não se ouvisse o som do seu apito, bastava sentir o cheiro de charuto no ar que você já tinha a certeza de que Romeu já havia passado por ali. Dizem que um certo dia um casal estava namorando dentro de um Ford Corcel nas proximidades do Grupo Escolar Francisco Mangabeira, quando de longe Romeu viu o sacolejo do carro e o vidro todo embasado.

Romeu não pensou duas vezes, se aproximou, deu uma batidinha no vidro e pediu para que o sujeito saísse de dentro do carro. O sujeito todo tímido ainda tentou argumentar, mas não teve jeito, Romeu passou um belo de um sermão, deu uma baforada de charuto no sujeito e mandou “picar a mula”. Até hoje comenta-se que a mulher que estava no carro, era uma mulher casada de uma cidade vizinha e que se na época o nome fosse revelado iria causar um verdadeiro escândalo na sociedade e só quem viu o rosto da mulher foi Romeu e ele não contou a ninguém.

Desse dia em diante, ninguém mais se ousou namorar dentro do carro. Algumas pessoas comentam até hoje, que Romeu sabia de tudo que acontecia na madrugada fria da cidade e como ele malmente saía durante o dia, o segredo ficava guardado. Confesso que tenho saudades desta época na terra de José Inácio, quando a paz da madrugada deixava que os passos fossem seguros e que o apito e o charuto de um homem faziam a segurança de toda uma cidade.

Por Joselito Fróes- Colunistas do Blog Itiruçu Online.  


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