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Resenha rubro-negra – Sem palavras

É até difícil encontrar palavras para descrever a situação do Vitória. Nos últimos anos é como se o Rubro-Negro estivesse numa infindável luta de boxe apanhando, apanhando e sem condições de reagir. Já caiu duas vezes e pelo andar da carruagem, com apenas seis rodadas da Série C, já corre sérios riscos de cair novamente, agora para o último degrau do Campeonato Brasileiro. Mesmo sem perspectiva de melhora, o torcedor vai, busca empurrar o time na força do gogó, mas simplesmente não acontece. Não aconteceu mais uma vez na última quarta, quando inacreditavelmente o Leão perdeu a sua quarta partida em seis jogos no campeonato. Com apenas 22% de aproveitamento, o clube, que deveria ser amplo favorito na Série C, amarga a 18º colocação, seis pontos atrás do Floresta-CE, que, com 10, fecha o grupo dos oito primeiros que avançam para a segunda fase. Sim, a situação é delicadíssima, principalmente pelo fato de o campeonato ser de tiro curto: um terço da primeira fase já se foi.

Aí o torcedor se pergunta: e tem jeito? O Vitória já contratou um caminhão de jogadores na atual temporada, trocou de técnico duas vezes, trocou diretor de futebol e as mudanças não surtem efeito dentro de campo. Para o técnico Fabiano Soares, alguns jogadores sentem o peso da camisa e não têm condições de jogar no Vitória. Forte declaração, mas que só reforça a falta de rumo do clube, que no decorrer da principal competição da temporada segue longe de ter um time, ao menos, competitivo.
Numa tentativa de mudar as coisas, Soares disse que alguns jogadores vão ter que tomar a frente no domingo para que o Vitória possa vencer o Confiança, novamente no Barradão. Quem são os jogadores escolhidos para assumir a responsabilidade, não sabemos. O que está claro, entretanto, é que o Vitória a cada rodada fica mais distante de brigar pelo acesso numa competição que carece de equipes de grande investimento.

Ao olharmos rapidamente para a tabela hoje, percebemos que a linha de corte na zona de classificação exige aproveitamento de 55%. Assim, com a manutenção do quadro atual, uma equipe precisaria fazer algo na casa dos 30 pontos ao final dos 18 jogos para se classificar. Com apenas quatro pontos conquistados, o Vitória precisa, daqui pra frente, conquistar 26 pontos para sonhar com uma vaga entre os oito. Ou seja, ter um aproveitamento de 72%, percentual até aqui conquistado apenas pelo Mirassol, líder da competição, com 13 pontos.

Seria como vencer nove partidas das 12 que restam. É algo que me parece irreal de ser conquistado por uma equipe que já foi apelidada pela torcida nas redes sociais como “inimiga do gol”. Com apenas três gols marcados em seis jogos, o Vitória tem o terceiro pior ataque da Série C. Pior que o Leão, só o Confiança, adversário de domingo, e o Atlético-CE, com dois gols cada. Óbvio, todos estão na zona da degola.

É uma situação, de fato, além do “inadmissível” para a grandeza do Vitória. Essa, inclusive, foi a palavra utilizada pelo garoto Eduardo na saída de campo na derrota para o Botafogo-PB. Por falar em juventude, o técnico rubro-negro se referiu ao gol tomado na última quarta como um “gol juvenil”. Prefiro até usar gol de baba. Certamente, tem baba em Salvador muito mais divertido do que assistir a esse atual time do Vitória. Mas o torcedor é passional. Apesar do quadro caótico, domingo estará lá de novo no Barradão, tentando incentivar um time a caminho de receber mais um nocaute. Logo na Bahia, celeiro do boxe brasileiro. Sem palavras. Por Angelo Paz | Jornalista | Atarde. 


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