Tufão mais violento a atingir o Japão em 25 anos deixa ao menos 9 mortos

TÓQUIO – O tufão mais potente a atingir o Japão nos últimos 25 anos deixou ao menos 9 mortos e mais de 300 feridos nesta terça-feira, 4, com ventos muito violentos e chuvas torrenciais na região oeste do país. O balanço de mortos foi divulgado pelo canal público NHK. O tufão também causou a inundação do Aeroporto Internacional de Kansai, em Osaka. Entre os mortos, um homem de 71 anos foi encontrado debaixo de um armazém que desmoronou, provavelmente devido aos fortes ventos, e um outro homem, também com cerca de 70 anos, morreu após cair do telhado de um casa. O tufão Jebi é o 21º da temporada na Ásia e afetou o Japão com tempestades e rajadas de ventos que alcançaram 220 km/h em alguns pontos. Jebi, cujo nome significa “engolir” em coreano, é a mais recente adversidade climática a atingir o Japão após chuvas intensas, deslizamentos de terra, enchentes e temperaturas recordes que deixaram centenas de mortos nos últimos meses.

As autoridades pediram a vários moradores que abandonassem suas casas em áreas inundadas ou que poderiam ser atingidas pelo fenômeno e recomendaram a quase 1,2 milhão de habitantes que procurassem abrigos – 16 mil pessoas receberam ordem para deixar suas casas, mas a medida não é obrigatória. Apesar do número relativamente baixo de vítimas, o tufão provocou danos materiais consideráveis. Um petroleiro ficou retido sob uma ponte que leva ao Aeroporto Internacional de Kansai, perto de Osaka, no oeste do país. A NHK informou que ao menos 3 mil passageiros e funcionários ficaram presos no terminal.

Esse aeroporto, construído sobre uma ilha artificial, foi inundado e fechado depois que o subsolo e as pistas foram dominados pela água. “Essa tempestade é super (forte). Espero conseguir chegar em casa”, disse uma moradora de Hong Kong à NHK, no aeroporto. Em algumas áreas, o nível das marés é o mais alto desde um tufão em 1961.

Imagens de televisão mostraram andaimes destruídos pelo vento, árvores no chão, vitrines de lojas quebradas, postes tombados, ruas inundadas, caminhões virados e o mar agitado em todas as direções. Além disso, várias linhas de trens suspenderam as viagens, incluindo os trens de alta velocidade Shinkansen, que fazem o trajeto entre Tóquio e Osaka e transportam centenas de milhares de passageiros todos os dias. Em Kyoto, uma parte do teto da estação ferroviária desabou na passagem do tufão.

Em entrevista por e-mail ao jornal Japan Times, o indonésio Justin Setiawan, de 25 anos, que viajava com a família de férias pelo país em um dos trens de alta velocidade, contou que eles estavam retidos havia três horas e meia, mas a situação dentro do trem estava tranquila, apesar de ter acabado a água e a comida a bordo. As grandes lojas de departamento da região de Osaka fecharam suas portas. Várias empresas do país, incluindo Toyota, Honda e Panasonic, suspenderam a produção, enquanto outras pediram aos funcionários que ficassem em casa. As escolas também suspenderam as aulas hoje. Mais de 1,4 milhão de residências e edifícios ficaram sem energia elétrica.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, presidiu uma reunião de emergência para monitorar a situação de crise.

Com ventos entre 160 km/h e 190 km/h na parte central (além de rajadas de até 220 km/h), Jebi é o primeiro tufão catalogado como “muito forte” pela Agência Meteorológica do Japão a chegar ao arquipélago desde 1993, quando outro fenômeno com as mesmas características deixou 48 mortos e desaparecidos. / AFP, AP e REUTERS


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