Marina pode levar a segundo turno na Bahia

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A consolidação do “fenômeno Marina”, sobre o qual havia grande expectativa até a semana passada, mas foi confirmado na última sexta-feira, quando saiu a pesquisa Datafolha revelando o empate da presidenciável do PSB com a presidente Dilma Rousseff no primeiro turno, na faixa dos 34% das intenções de voto, acendeu definitivamente as luzes de alerta das candidaturas majoritárias ao governo da Bahia. O mais forte deles, no entanto, lançou também um sinal sonoro de atenção máxima sobre o grupo que acompanha o candidato do DEM ao governo, Paulo Souto.

Até então, pelos números que Marina conseguira agregar e o potencial eleitoral que demonstrava, as preocupações quanto à perspectiva de crescimento da socialista se
restringiam aos apoiadores da candidatura encabeçada pelo petista Rui Costa. O desempenho ascendente da ex-senadora, medido então pelo Ibope, representava dificuldades na performance baiana da presidente Dilma Rousseff, em que, por uma questão de estratégia definida antes da tragédia de 13 de agosto, Rui havia buscado pongar como forma de alavancar sua campanha sobre o eleitorado local.

Com o Datafolha de sexta-feira, entretanto, as mesuras identificadas na campanha do petista em relação à presidenciável do PSB foram se deslocando para a articulação política de Souto, onde uma questão ganhou grande destaque entre todas que começaram a ser feitas quanto ao encaminhamento de sua estratégia desde a sexta-feira. Trata-se de saber até que ponto o crescimento de Marina vai impactar positivamente a senadora Lídice da Mata (PSB), sua única e legítima representante local, cujos primeiros sinais eram de que não vinha absorvendo influência alguma do “fenômeno Marina” em sua campanha.

Apesar de ter se esquecido de mencionar Marina uma vez sequer no debate de que participou na Bandeirantes, na última quinta-feira, Lídice passou a dar prioridade ao fortalecimento da vinculação entre as duas nas inserções comerciais da campanha na televisão e no rádio desde então. A preocupação do comando do DEM é de que a senadora socialista seja empurrada morro acima pelo “Tsunami Marina”, jogando a disputa pela sucessão de Jaques Wagner (PT) para o campo imprevisível do segundo turno, uma condição que os soutistas querem evitar a todo custo por razões óbvias.

No mesmo debate da Band, era visível que a estratégia usada por Lídice desde o primeiro momento foi a de desbancar Rui pelo segundo lugar. Marchou para cima dele imputando-lhe adjetivos que não tardariam a ser usados pelos adversários, a exemplo de “inimigo público número 1 do funcionalismo”. Como a expectativa de crescimento do petista persiste, dado principalmente a força da máquina estadual, nada impede que, se for empurrada por Marina, Lídice, junto com ele, ajude a levar a disputa ao segundo turno, momento em que não teriam problema em se unir contra Souto.

* Artigo publicado originalmente na Tribuna da Bahia.


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