Juiz da Lava Jato nega liberdade provisória a Luiz Argôlo

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O ex-deputado federal baiano Luiz Argôlo continuará atrás das grades, onde se encontra desde abril. Ele vai precisar aguardar a decisão final da Justiça no Paraná para saber se continuará detido no Complexo Médico-Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR). Isso porque o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, negou pedido de liberdade provisória feito pela defesa do político.

Segundo o advogado de Argôlo, Pedro Scavuzzi, Moro decidiu aguardar a sentença final, prevista para sair no próximo mês. Para quem não sabe, o ex-deputado foi denunciado pela prática de atos de corrupção e atos de peculato.

Ainda de acordo com Scavuzzi, Argôlo será ouvido por Moro na próxima quarta-feira (9). Já nesta sexta (04), o juiz deve ouvir Alberto Youssef. Segundo a justiça, o doleiro pagou móveis, gado, cadeira de rodas e até um helicóptero para Argôlo, que era do PP, partido do vice-governador da Bahia, João Leão, citado na Lava Jato, e do conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Mario Negromonte, indiciado no processo.

O Ministério Público Federal (MPF) acusa formalmente Argôlo de usar verba parlamentar para ir até o escritório de Youssef para recebimento de propina. Segundo a Procuradoria da República, o ex-parlamentar visitou 78 vezes o doleiro. Pelo menos 40 viagens foram bancadas com recursos públicos da Câmara dos Deputados.

O dinheiro utilizado por Youssef para beneficiar Argôlo era oriundo do esquema de corrupção na Petrobras. De acordo com a Polícia Federal, “os indícios apontam que o deputado tratava-se de um cliente dos serviços prestados por Youssef, por vezes repassando dinheiro de origem aparentemente ilícita, intermediando contatos em empresas, recebendo pagamentos, inclusive tendo suas atividades operacionais financiadas pelo doleiro”.

A Polícia Federal acrescenta ainda que nas conversas entre Argôlo e o doleiro assuntos como construtoras e licitações eram tratados. Como se não bastasse, os investigadores destacam conversas por mensagem de celular em que o deputado e o doleiro combinam a entrega de dinheiro no apartamento funcional da Câmara.

Ainda conforme Pedro Scavuzzi, Argôlo não fará delação premiada, como estava previsto. A decisão teria partido do ex-deputado após ouvir do publicitário Aricarlos Nascimento, que trabalhou em suas campanhas na Bahia, que o deputado federal Mário Negromonte Jr. (PP) teria ameaçado Argôlo e afirmado que se ele não colaborasse “já sabia qual era o destino de delator”.

“Ele pensou em falar com o Ministério Público para colaborar com o que sabia. Ele não tem o que assumir. Ele não tem como fazer delação de uma coisa que ele não participava. Ele pode saber de alguma coisa, mas não de ter participado. A relação dele com Youssef era comercial e privada, sem relacionar o seu mandato na Câmara. Tanto é que deixou o PP antes mesmo de estourar a crise”, sustentou o advogado. O deputado Mário Negromonte Jr. até hoje não comentou sobre as acusações do publicitário. Com informações do jornal Tribuna da Bahia.


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