IDEB: Professor detalha dados dos resultados do Vale do Jiquiriçá

Ontem (03/09), foi o Dia D da educação em 2018, em especial para os Dirigentes de Educação, que deram uma pausa na sua agenda, sempre lotada, para tomar ciência dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) 2017. Essa pausa, para refletir sobre resultados, deveria ser o cotidiano da gestão da educação, mas sabemos que nem sempre é, com raras exceções.

O índice, divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), é calculado de dois em dois anos, de acordo com os resultados das médias de desempenho do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e com as taxas de aprovação das escolas e redes de ensino obtidos no Censo Escolar. O índice varia de 0 a 10 e a combinação entre fluxo e aprendizagem tem o mérito de equilibrar as duas dimensões.

Neste texto, quero me deter a uma breve exposição dos dados referente aos resultados do IDEB dos municípios do Vale do Jiquiriçá, levando em consideração os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental.

 

ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

O IDEB médio da educação pública do Brasil nos anos iniciais do Ensino Fundamental atingiu 5,5. Nenhum dos 20 municípios do Vale do Jiquiriçá conseguiu atingir a média brasileira. Em relação a média do Estado da Bahia, que ficou em 4,7, 11 municípios atingiram ou superaram a média do Estado (Quadro 1), com destaque para cinco municípios que ficaram nota igual ou superior a 5: Nova Itarana (5,4), Itaquara (5,4), Planaltino (5,2), Brejões (5,1) e Amargosa (5,0).

QUADRO 1

Quando ao indicador de aprendizado em Língua Portuguesa, de uma escala de 9 níveis de aprendizado, sendo 9 o nível mais alto, 4 municípios alcançaram o nível 4 (Nova Itarana, São Miguel das Matas, Itaquara e Amargosa), 15 ficaram no nível 3 de aprendizado (Cravolândia, Planaltino, Brejões, Jiquiriçá, Irajuba, Maracás, Ubaíra, Lafaiete Coutinho, Elísio Medrado, Milagres, Lajedo do Tabocal, Laje, Santa Inês, Jaguaquara e Mutuípe) e apenas 1 município ficou no nível 2 de aprendizado (Itiruçu).
No indicador de aprendizado de Matemática, em uma escala com 10 níveis de aprendizado, sendo 10 o nível mais alto, 9 municípios atingiram o nível 4 (Irajuba, Itaquara, Amargosa, São Miguel das Matas, Nova Itarana, Planaltino, Cravolândia, Jiquiriçá e Brejões). Os demais ficaram no nível 3 (Elísio Medrado, Maracás, Lajedo do Tabocal, Ubaíra, Jaguaquara, Mutuípe, Laje, Santa Inês, Milagres, Lafaiete Coutinho e Itiruçu).

Levando em consideração a série histórica de cálculo do IDEB, iniciada em 2005, o município que percentualmente, mais melhorou seu desempenho de 2005 à 2017, foi Nova Itarana, saindo de 1,7 em 2005 para 5,4 em 2017, um aumento de 217,6%. O segundo município com melhor desempenho ao longo deste período foi Irajuba, saindo de 1,6 em 2005 e chegando a 4,8 em 2017, um aumento de 200%. Já o município que menos cresceu no período foi Laje, saindo de 3,4 em 2007 e chegando a 4,3 em 2017, um aumento de 26,5%.

No comparativo com os resultados da edição anterior do IDEB (2015), 13 municípios melhoraram seus resultados. Destaque para Itaquara que, percentualmente, foi o município que mais cresceu, saindo de 4 (2015) e chegando a 5,4 (2017), 35% de aumento, seguido por Nova Itarana, que saiu de 4,1 (2015) para 5,4 (2017), 31,7% de aumento. Além de Itaquara e Nova Itarana, os demais municípios melhoraram seu índice em relação à 2015 foram Jiquiriçá, Brejões, São Miguel das Matas, Amargosa, Santa Inês, Elísio Medrado, Planaltino, Irajuba, Milagres, Ubaíra e Maracás. 4 municípios ficaram com o mesmo IDEB, Lafaiete Coutinho, Cravolândia, Laje e Itiruçú). 3 municípios pioraram seu índice, Lajedo do Tabocal de 4,7 (2015) para 4,6 (2017), Jaguaquara de 4,2 (2015) para 4,1 (2017) e Mutuípe de 4,7 (2015) para 4,2 (2017).

 

ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Nos anos finais do Ensino Fundamental, o IDEB médio da educação pública do Brasil foi de 4,4. Apenas o município de Elísio Medrado superou a média nacional, ficando com 4,6. A média da educação pública na Bahia ficou em 3,4, sendo que 9 municípios do Vale ficaram acima desta média (Elísio Medrado, Amargosa, Nova Itarana, Santa Inês, Cravolândia, Mutuípe, Planaltino, Maracás e Lajedo do Tabocal). 9 ficaram abaixo da média do Estado (Ubaíra, Milagres, Brejões, Laje, Itaquara, Jaguaquara, São Miguel das Matas, Itituçu e Irajuba). 2 municípios não tiveram IDEB para os anos finais divulgados (Lafaiete Coutinho e Jiquiriçá).

 

Veja Quadro 2.

Quanto ao aprendizado em Língua Portuguesa nos anos finais, de uma escala de 9 níveis de aprendizado, sendo 9 o nível mais alto, apenas 3 municípios atingiram o nível 3 (Amargosa, Cravolândia e Elísio Medrado). 12 municípios ficaram no nível 2 de aprendizado (Itaquara, Jaguaquara, Maracás, Lajedo do Tabocal, Santa Inês, Ubaíra, Nova Itarana, Mutuípe, Planaltino, Milagres, São Miguel das Matas e Brejões). 4 registraram aprendizado no nível 1, o mais crítico (Laje, Irajuba, Lafaiete Coutinho e Itiruçú).
Em Matemática, em uma escola de 10 níveis de aprendizado, sendo 10 o nível mais alto, 2 municípios atingiram o nível 3 (Elísio Medrado e Amargosa). 11 ficaram no nível 2 de aprendizado (Cravolândia, Nova Itarana, Mutuípe, Jaguaquara, Maracás, Ubaíra, Itaquara, Santa Inês, Milagres, Lajedo do Tabocal e Planaltino. 6 ficaram no nível 1 de aprendizado (São Miguel das Matas, Irajuba, Laje, Brejões, Lafaiete Coutinho e Itiruçu).

Quanto a série histórica de cálculo do IDEB, iniciada em 2005, o município que percentualmente, mais melhorou seu desempenho nos anos finais do Ensino Fundamental de 2005 à 2017, foi Cravolândia, saindo de 1,7 em 2005 para 3,8 em 2017, um aumento de 123,5%. O segundo município com melhor desempenho ao longo deste período foi Amargosa, saindo de 2,1 em 2005 e chegando a 4,3 em 2017, um aumento de 104,8%. Os municípios que menos cresceram no período foram Laje e Brejões, que saíram de 3,1 em 2005 e chegando a 3,3 em 2017, um aumento de 6,5%.

No comparativo com os resultados da edição anterior do IDEB (2015), 10 municípios obtiveram resultados melhores em 2017. Destaque para Milagres que, percentualmente, foi o município que mais cresceu, saindo de 2,4 (2015) e chegando a 3,3 (2017), 37,5% de aumento, seguido por Elísio Medrado, que saiu de 3,4 (2015) para 4,6 (2017), 35,3% de aumento. Os demais municípios foram Amargosa, Itaquara, Mutuípe, Jaguaquara, Brejões, Ubaíra, Lajedo do Tabocal e Planaltino. O município de Cravolândia manteve o mesmo IDEB de 2015, e 4 municípios pioraram seu índice (Laje, São Miguel das Matas, Maracás e Itiruçú). Nova Itarana, Santa Inês e Irajuba ficaram de fora do comparativo, por não terem tido IDEB dos anos finais divulgados em 2015, e Jiquiriçá e Lafaiete Coutinho não tiveram IDEB divulgados em 2017.

 

FINALIZANDO A BREVE EXPOSIÇÃO

 

Apesar de não ser divulgado com os resultados oficiais uma média do IDEB dos municípios levando em consideração os anos iniciais e anos finais, ousei realizar a média do IDEB dos 18 municípios do Vale do Jiquiriçá que tiveram resultados dos anos iniciais e finais divulgados. Ficaram de fora apenas os municípios de Jiquiriçá e Lafaiete, que tiveram apenas dados dos anos iniciais.
O município de Nova Itarana obteve a melhor média do IDEB 2017, com 4,75, seguido por Amargosa (4,65), Elísio Medrado (4,6), Planaltino (4,4), Itaquara (4,3), Cravolândia (4,25), Brejões (4,2), Maracás e Santa Inês (4,15).

Confiram Quadro 3 abaixo.

Agora, cabe ao conjunto dos municípios e a cada rede de ensino realizar as análises pertinentes aos resultados divulgados. O fluxo merece também uma atenção especial nesta análise, pois influenciou ou para mais ou para menos no IDEB de muitos municípios. Tivemos municípios com um aprendizado menor do que outro, mas o fluxo (maior) proporcionou um IDEB maior do que município com maior aprendizado. No entanto, cabe destacar que, apesar de alguns avanços importantes em alguns municípios, que devem sim comemorar, ainda temos muitos desafios para garantir efetivamente o direito de aprendizagem de todos.
Sabemos que o IDEB não representa por si só a qualidade da educação de nossas escolas e redes de ensino, uma vez que vários fatores importantes não são levados em conta na composição do índice, mas, ele se apresenta como um indicador, que indica alguns aspectos que são importantes de serem analisados para melhoria da qualidade da educação.
Espero que a exposição destes dados ajude nesta tão importante análise.

Renê Silva, Pedagogo, Mestre em Educação, Professor Substituto da UESB e Coordenador Pedagógico do município de Nova Itarana.
Artigo produzido com exclusividade para o Site Itiruçu Online.

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