Entenda como funcionava o esquema denunciado pela Operação Lava Jato

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Em uma ação sem paralelo na história do combate à corrupção no país, a Polícia Federal prendeu, na sexta-feira (14), presidentes, altos executivos e lobistas de nove dos maiores grupos empresariais brasileiros, além do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Todos são investigados por suspeita de envolvimento no esquema de fraudes, desvios de verbas públicas, suborno e lavagem de dinheiro desbaratado pela Operação Lava Jato e alimentado, sobretudo, por meio de contratos superfaturados com a estatal.

Dos 27 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal do Paraná na sétima fase da Lava Jato, batizada de Juízo Final, foram cumpridos 18 até a noite de sexta, sendo quatro de forma preventiva e 14, temporária. A lista dos alvos da PF inclui os presidentes de cinco companhias: OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, UTC e Iesa, todas grandes financiadores de campanhas .

Entre os que já foram presos e levados para Curitiba em avião da PF, há dois baianos. Um deles é Léo Pinheiro, presidente da OAS, detido no Hotel Pestana, em Salvador. O outro é o executivo Ricardo Pessoa, que comanda a UTC. Ele recebeu a ordem de prisão em São Paulo. Os presidentes da Queiroz Galvão, Idelfonso Colares Filho, e da Galvão Engenharia, Erton Medeiros, também estão presos. .

O diretor-presidente e o presidente do Conselho de Administração da Construtora Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini e João Ricardo Auler, se apresentaram à Polícia Federal, em São Paulo, na manhã deste sábado. O empresário Valdir Lima Carreiro, que comanda a Iesa, não havia sido preso. Na relação dos seis mandados de prisão preventiva, 21 temporária, nove de condução coercitiva e 49 de busca e apreensão, constam ainda executivos da Mendes Júnior, Engevix e Odebrecht.

Investigado por realizar trabalhos ilícitos para o doleiro Alberto Youssef, mentor do esquema, o agente da PF Jayme Alves de Oliveira Filho foi preso no Rio de Janeiro. Outro integrante da equipe de Youssef é o irmão do ex-ministro das Cidades Mario Negromonte, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Suspeito de formação de quadrilha e corrupção, Adarico Negromonte Filho foi procurado em seu apartamento em São Paulo, mas não foi localizado. O que levou a PF a acionar a Interpol, já que há suspeitas de que ele esteja no exterior.

Apontado como lobista do PMDB junto às empreiteiras investigadas, Fernando Soares, o Fernando Baiano, também não havia sido localizado em sua casa no Rio. Ele é acusado de distribuir US$ 8 milhões em propinas à diretoria Internacional da Petrobras. Em depoimento do seu acordo de delação premiada, Julio Camargo, executivo do grupo Toyo, descreveu “em detalhes a forma de pagamento utilizada por Fernando Soares para recebimento de oito milhões de dólares em propina”, informou a Justiça em despacho.

Ao longo do dia, agentes da PF vasculharam residências de executivos e sedes de empresas situadas em edifícios luxuosos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em Recife, detiveram o empresário Rogério Cunha de Oliveira, ligado à Engevix. Levado para prestar depoimento, ele foi localizado no aeroporto da capital pernambucana quando tentava embarcar para São Paulo.

Fonte: Correio


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