Empresas perdem R$ 152,1 bilhões em valor na Bolsa após manobra do Auxílio Brasil ECONOMIA

A possibilidade de o governo utilizar recursos fora do teto de gastos para bancar parte do Auxílio Brasil pegou os investidores de surpresa nesta terça-feira, 19, e fez as ações listadas na Bolsa brasileira (B3) amargarem uma perda de R$ 152,1 bilhões em valor de mercado. Os dados são da consultoria Economatica.

A empresa que teve a maior perda em valor de mercado é a Petrobras, com uma redução de R$ 17,89 bilhões. As ações ordinárias e preferenciais da companhia recuaram 4,37% e 4,89% cada. A petroleira é seguida da Ambev, com desvalorização de R$ 7,5 bilhões, Bradesco (R$ 6,2 bilhões) e Santander Brasil (R$ 6,2 bilhões). Hoje, o principal índice de ações do País, o Ibovespa, terminou o dia em baixa de 3,28%, aos 110,6 mil pontos – no maior recuo desde 8 de setembro.

O impacto foi sentido também no câmbio, com o dólar em alta de 1,33%, a R$ 5,5938 – no maior valor desde 15 de abril. Diante do mau humor do mercado, o Ministério da Cidadania adiou, indefinidamente, a apresentação do Auxílio Brasil, que estava marcada para às 17h de hoje.

A ideia do governo é conceder um benefício de R$ 400 até o fim de 2022, mas parte desse valor, mais precisamente R$ 100, viria de recursos fora do teto de gastos. Caso se confirme, o arranjo representaria uma vitória para a ala política do governo.

Porém, o clima piorou de vez ao longo da tarde, diante da informação de que a despesa com o programa social que ficará fora do teto de gastos pode ter seu valor fixado em uma PEC. A equipe econômica trabalha para conter os danos, na tentativa de limitar a despesa extrateto a R$ 30 bilhões, enquanto o Palácio do Planalto considerava esse valor ainda “em aberto”.

“Brasília parece ter encontrado a chave do cofre. O mercado está preocupado com a falta de disciplina para manter o teto ou, se realmente passar disso, que as despesas ‘extrateto’ com o auxílio não fiquem muito além dos R$ 30 bilhões indicados”, diz Scott Hodgson, gestor de renda variável na Galapagos Capital, acrescentando que o valor de R$ 400 ressurgiu sem aviso prévio, como uma “fênix renascida das cinzas”.

“O furo parcial do teto é uma preocupação grande. Mas não é só o que está sendo falado hoje. Existe os riscos de execução quando isso for debatido no Congresso”, afirma o sócio e gestor da Galapagos Capital, Sergio Zanini, que chama atenção para o fato de que pela primeira vez, se viu o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), falar explicitamente contra o teto dos gastos, em prol da população.

Fora a questão fiscal, o mercado também vê o risco de a proposta resultar em novas baixas na equipe de Paulo Guedes – o que inclui a saída do próprio ministro da Economia do governo Bolsonaro. Isso porque, embora o gasto seja temporário, vai contra a preservação do teto, algo que vinha sendo defendido pela pasta.

“Pode colocar quem você quiser como ministro da Economia que o resultado não vai ser diferente. Entramos em um processo político e eleitoral”, diz Zanini, da Galapagos, que assim como o mercado, vê a proposta como uma aposta do governo Bolsonaro para as eleições de 2022.

Veja quais foram as dez empresas que mais perderam valor em Bolsa nesta terça-feira:

Petrobras: 17,89 bilhões
Ambev: R$ 7,5 bilhões
Bradesco: R$ 6,21 bilhões
Santander Brasil: R$ 6,20 bilhões
Itaú Unibanco: R$ 5,7 bilhões
Vale: R$ 4,6 bilhões
Banco do Brasil: R$ 4,5 bilhões
Weg: R$ 4,2 bilhões
Grupo Natura: R$ 3,8 bilhões
Magazine Luiza: R$ 3,6 bilhões

 

Estadão Conteúdo


Comentários

Os comentários estão fechados.

Notícias Relacionadas