Eleições: disputa pela mudança ou alternância de privilégios?

Pedagogo e Especialista em Fundamentos Sociais e Políticos da Educação (UESB) Mestrando em Educação (UESB)

Pedagogo e Especialista em Fundamentos Sociais e Políticos da Educação (UESB)
Mestrando em Educação (UESB)

Como educador, fico incomodado com tantas críticas à qualidade da educação pública, críticas essas que parecem aflorar em período eleitoral. A educação vira retórica, caminho para salvação do Estado, do País. É comum ouvirmos como justificativa para o mau ou bom desempenho de determinado candidato nas pesquisas, que este está ou não na frente das pesquisas porque falta “conhecimento” das pessoas. As pessoas não conhecem, não sabem, não tem estudo… fulano está na frente nas pesquisas porque o povo é ignorante, não tem conhecimento, não sabe o que é melhor. Só quem sabe o que é melhor são os profissionais da política. Me deixe…

Numa coisa eu concordo, falta maior dedicação ao conhecimento por parte da maioria da população para que possamos contrapor esses discursos dos políticos e de cabos eleitorais profissionais que se aproveitam da desinformação, ou utilização a manipulação da informação para tentar lubridiar a população. Isso não por conta apenas da necessidade de melhoria da qualidade de nossas escolas, mas porque também há uma mudança cultural em que os meios de comunicação, em especial a TV e a internet, e em especifico as redes sociais, se tornaram os instrumentos formadores, não de conhecimento, mas de opinião. O conhecimento está esquecido. E é ai que mora o problema. Muitos se queixam da qualidade da educação, mas todos que conseguem se tornar bons profissionais através dos estudos, é por que dedicaram e ainda dedicam seu tempo extra, aquele tempo em que não estão na escola, também para os estudos. Os livros foram trocados pelas TVs e redes sociais, e sem a maturidade e conhecimento necessário, sem a capacidade de reflexão, muitos apenas reproduzem as distorções apresentadas por esses instrumentos sem a menor criticidade.

Como quase não há estímulos e incentivos para o acesso ao conhecimento, este é trocado pelo entretenimento dos meios de comunicação, enxertados com as notícias manipuladoras em seus intervalos.

Vejamos no caso da política. É recorrente as manifestações de insatisfação nas redes sociais contra a situação política. O coro por mudanças é recorrente, e parece muito forte. No entanto, a falta de aprofundamento no assunto, de conhecimento histórico e de concepção, fazem muitos apenas reproduzirem um discurso de mudança, que se torna contraditório. Lógico que sempre devemos querer mudanças, mas gosto de acrescentar um adjetivo, MUDANÇA PARA MELHOR. Mudança pela mudança pode não levar a melhorias. Quando digo contraditório, é porque muitos os que se travestem com roupagem da mudança fazem isso para lubridiar as pessoas. Ora, como promover mudanças profundas para melhor, se defendemos a eleição de pessoas com um histórico conhecido e comprovado de gestão ineficiente, autoritária, clientelista? Pessoas que tiveram a frente de gestões por vários anos e não deram demonstração de capacidade de resolução dos graves problemas sociais que enfrentamos. Reflitamos sobre o perfil da maioria dos que nos são apresentados como protagonistas de uma possível mudança. Quase sempre herdeiros de clãs, dinastias que se transformaram em oligarquias políticas. Estão ai os Filhos, Netos e Juniors da nossa política reaparecendo com uma roupagem nem tão nova, como salvadores da pátria. Serão mesmo estes herdeiros o caminho para uma mudança para melhor?


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