Depois de mostrar força na Bahia, Jaques Wagner será presidente em 2018.

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O papo é sério nos escalões mais altos do PT baiano e nacional. O governador Jaques Wagner não abandonou os planos de permanecer na política nem deseja ver minimizados sua influência e poder tão cedo. Muito pelo contrário. Tem projetos ambiciosos e de médio prazo cuja eleição do pupilo Rui Costa, candidato a governador do PT, pode ser encarada como um detalhe. O fato de o governador ter aberto mão de concorrer ao Senado ou mesmo à Câmara dos Deputados nestas eleições foi tão somente um estratagema bem-sucedido para facilitar a indicação de Rui à cabeça da chapa governista.

Jaques Wagner é, com efeito, candidato à Presidência da República em 2018. Ou seja, ele deseja suceder a presidente Dilma Rousseff, caso ela se reeleja este ano. É o que se comenta nas esferas mais elevadas do núcleo do poder petista. O desejo do governador é um chega pra lá no chamado “Volta Lula”, que teria sido adiado para a sucessão presidencial seguinte, depois que a presidente da República bateu pé firme na determinação de se recandidatar agora, a despeito do cenário se mostrar para ela cada vez mais incerto? Claro que não.

Wagner é uma espécie de queridinho do ex-presidente Lula e da atual primeira mandatária do país. Chamado de galego por ele e de queridísssimo por ela, que sempre que pode renova publicamente as demonstrações de carinho que sente pelo governador baiano, numa evidência da intimidade de que desfruta com ambos, Wagner acalenta o sonho de participar da sucessão presidencial de 2018 com o consentimento dos dois, principalmente na hipótese de o ex-presidente Lula dar efetivamente por encerrado qualquer plano de concorrer de novo à Presidência..

Para isso, entretanto, ele terá que queimar uma etapa. Precisará conquistar um cargo no primeiro escalão de um eventual segundo governo Dilma. No que depender da presidente, o governador da Bahia teria espaço garantido num novo ministério, caso ela consiga vencer as eleições este ano. A posição, no entanto, ainda é segredo, embora ninguém duvide de que fique na esfera da articulação política, um setor no qual não se questiona a competência de Wagner. Antes de concorrer ao governo baiano, Wagner foi ministro de Lula, que o desencorajou a disputar a sucessão baiana.

Achava que era prematura a decisão do galego de abandonar seu governo para enfrentar o então todo-poderoso senador Antonio Carlos Magalhães, na época com controle absoluto da política local. Estava redondamente enganado. Depois que Wagner assumiu o governo baiano, Lula o colocou em posição privilegiada na lista dos preferidos para disputar a sua própria sucessão, passou a incentivá-lo para a disputa, mas acabou frustrando-se ante a demonstração de desinteresse do governador da Bahia com a ideia. Acabou escolhendo um ‘poste’ para representá-lo e saiu vitorioso.

Quase oito anos depois, os planos do governador baiano mudaram. Ele tem certeza de que sairá das eleições deste ano em posição diferenciada, caso consiga eleger seu candidato, considerado por muitos também um ‘poste’. Com Rui no governo, acredita que teria não só o apoio da Bahia para travar uma disputa presidencial, como do próprio partido, cuja eleição de governadores está comprometida em vários Estados. Qualquer que seja o rumo que a vida de Wagner tome após as eleições, é certo que o que o anima na disputa é muito mais.

Tribuna da Bahia.


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