Crônica: O amanhecer na minha terra

varzea

Foto/Blog Itiruçu Online

Manhã fria na terra de José Inácio, abro a janela e me deparo com a neblina que ainda esconde o nascer do sol. Na cozinha, minha mãe tenta a todo custo acender o seu velho e companheiro fogão de lenha que teimosamente demora a aquecer. Pelas ruas os velhos tratores e suas carrocerias abarrotadas de mulheres, homens e crianças com destino aos cafezais. A fila se forma em frente a casa de Dadai na espera do leite fresco que Ives Fontoura foi buscar no Morro do Tigre.

O cheiro de pão assando invade a minha vontade e percebo que está da hora de ir até a padaria de Seu Juca Nunes comprá-lo. A recepção é um canto mágico da sabiá que mais parece um aviso de que na padaria já tem pão fresquinho e quente. O sorriso tímido de Lourival é um sinal que a produção está a todo vapor. Seu Juca Nunes com seu inconfundível óculos de aro preto, observa todo o movimento do seu pequeno escritório que fica ao fundo da padaria. Na praça da feira (Praça Vivaldo Bastos), Benedito abre a sua barraca e coloca na vitrola o mais novo disco de Roberto Carlos entre tantos outros que estão a venda.

Seu Viute passa em seu Jeep azul com destino a sua fazenda. Outra fila agora se forma em frente a porta do Baneb, uns em busca do dinheiro de suas aposentadorias e outros querendo o saldo da poupança. Colado ao banco, Maria e Dona Joana acenam para Juracy que pega seu carro com destino a Brandão Filho. Do outro lado da cidade, Hélio Borges caminha nos seus passos rotineiros rumo a Federal e mesmo que estivesse de olhos fechados, seu coração o levava até lá. João Batista acabara de abrir a sua a venda, assim como Seu Gerson e Macarin. No Itirucuzinho, João Alves – conhecido João Pelado – abre o seu bar e vende as suas primeiras doses de “pinga”. O primeiro café da manhã de muitos que alimentam seus vícios. Na rua da Lancha, Salvadorzinho carrega um dos seus caminhões com tomate, repolho e pimentão para abastecer o Ceasa em Salvador e de lá ganhar o Brasil. Dona Tereza Santos caminha apressadamente para atender um senhor no posto médico da rua das Flores. Segundo o senhor, ele havia chupado manga e logo em seguida tomou leite e isso tinha lhe causado uma forte dor de cabeça. Pela experiência de Dona Tereza, constatou-se que o senhor  tinha mesmo era pressão alta. A neblina agora já dava lugar ao sol e o caminhar da minha terra sempre foi assim, aconchegante, poético e apaixonante. E se envolver nos seus detalhes é enriquecer a alma e acalantar o coração.

Itiruçu é mesmo um caso de amor.

Por Joselito Fróes


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