Apesar dos figurões que estão aderindo à sua campanha na Bahia, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) decidiu colocar exclusivamente nas mãos da deputada federal eleita Dayane Pimentel, presidente estadual de seu partido, o comando de sua campanha no Estado neste segundo turno, exatamente da mesma forma como funcionou no primeiro. A professora de Feira de Santana foi eleita com quase 137 mil votos surfando na onda do capitão reformado e é considerada sua figura de maior confiança por estas bandas.


O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, durante entrevista coletiva após encontro com dirigentes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília.

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad (PT), destacou hoje (11) que o seu adversário Jair Bolsonaro (PSL) sempre foi crítico do programa de transferência de renda Bolsa Família.

“Se tem alguém que criticou o Bolsa Família e, de certa maneira, humilhou os seus beneficiários, ao longo dos últimos 10 anos, foi o meu adversário. Não é fake news, basta ver na internet as frases que ele pronuncia sobre nordestinos que recebem o Bolsa Família”, disse Haddad, lembrando que seu adversário se referiu de forma “muito agressiva” aos beneficiários do programa.

A reação de Haddad foi uma resposta à afirmação de Bolsonaro que anunciou a pretensão de pagar o 13º salário para os beneficiários do programa.

CNBB

O presidenciável passou a manhã em Brasília onde teve reuniões na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em nota, dom Leonardo Steiner disse que a CNBB é uma instituição aberta ao diálogo com pessoas e grupos da sociedade brasileira e que é comum, em período eleitoral, que candidatos de diversos partidos e grupos políticos solicitem agenda e sejam recebidos. “O candidato não veio pedir apoio e a CNBB não tem partido nem candidato.”

Para a CNBB, é fundamental expor as preocupações da Igreja Católica no Brasil. “Da minha parte, abordei com o candidato assuntos que preocupam os bispos do Brasil: a não legalização do aborto, a proteção do meio ambiente, atenção especial à questão indígena e quilombola, a defesa da democracia e o combate rigoroso à corrupção. Também lembrei ao candidato o trabalho realizado pela CNBB durante a Campanha da Fraternidade deste ano que tratou, de forma profunda, da mobilização pela superação da violência”, afirmou.

Debate

Haddad voltou a questionar a ausência de Bolsonaro nos debates, criticando o fato de ele conceder entrevistas, mas não participar de situações em que sejam colocados frente a frente. Em entrevista, o candidato do PSL afirmou que pretende participar de dois debates. Na próxima quarta-feira (18), ele será submetido a novos exames médicos.

“Eu sou leigo no assunto [médico], mas me parece contraditório uma pessoa não poder debater, mas poder dar entrevista. Uma entrevista é um debate com o jornalista, qual a diferença entre um debate com jornalista e com um adversário?”, afirmou Haddad, ressaltando que, da sua parte, trataria o candidato com deferência e respeito.

Pesquisa

Questionado sobre o resultado da pesquisa divulgada ontem (10) pelo Instituto Datafolha, que apontou Jair Bolsonaro com 58% dos votos válidos contra 42% de Haddad, o candidato do PT afirmou que pode reverter a vantagem do adversário no segundo turno. “Em 30 dias, eu saí de 4% e estou com 42% dos votos válidos na pesquisa (…). Quem saiu de 4% para 42% tem chance de chegar a 50% ou mais com duas semanas de trabalho.”

Haddad recebeu apoio do PSB e citou o empenho dos governadores Ricardo Coutinho (Paraíba) e Paulo Câmara (Pernambuco) em sua campanha. PDT e PSOL também declararam apoio formal no segundo turno.

“Eu penso que as forças democráticas estão ganhando impulso nesse segundo turno. Chegamos na quinta[-feira] com rol de personalidades e de pessoas que percebem o risco que a democracia no Brasil está correndo, então é uma grata satisfação ter tido o apoio dos governadores Ricardo Coutinho, do Paulo Câmara, do Ciro Gomes, do Guilherme Boulos. São pessoas de referência na sociedade.”


O candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL), admitiu, em conversa com a imprensa nesta quinta-feira (11), que está considerando a possibilidade e não participar de debates com opositor Fernando Haddad (PT). “Existe a possibilidade sim estratégica (de não ir a debate)”, disse.

Nesta quinta, o petista convocou Bolsonaro para os debates que estavam programados nesta quinta, na TV Bandeirantes, no domingo, na TV Gazeta, e na segunda, no SBT. Todos esses foram cancelados pelos organizadores. “Deputado Bolsonaro, vem contar para o povo brasileiro o que você fez durante 28 anos no Congresso Nacional. Vem pro debate“, convidou Haddad.

Em resposta, o capitão da reserva ironizou a possibilidade de participar dos debates e provocou o opositor. “O Haddad fica me desafiando: quero que você diga o que fez por 28 anos no Parlamento. Vou responder agora: não roubei ninguém, Haddad. Como presidente, você aceitaria que o crime organizado continuasse sendo comandado de dentro dos presídios? (…) Não adianta debater com alguém que não é quem vai indicar os ministros. Não adianta debater com um ventríloquo do Lula. Qual é a autenticidade do Haddad?”, questionou.


O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, anunicou nesta quinta-feira, 11, o nome de três ministros em um eventual governo. Ao lado de apoiadores como o filho, Flávio Bolsonaro, o senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ) e a deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), o candidato do PSL confirmou os nomes de Onyx Lorenzoni, do DEM,para Casa Civil, do general Augusto Heleno para a Defesa e o do economista Paulo Guedes para a Economia

“Ainda não temos nome para outros ministérios, até porque temos de esperar com prudência o dia 28 de outubro, onde podemos ter a certeza de anunciar nomes”, afirmou Bolsonaro.

Em sua primeira entrevista após o primeiro turno, ele iniciou o discurso agradecendo a Deus por sobreviver ao atentado de Juiz de Fora, onde recebeu uma facada. O candidato à vice-presidência, general Hamilton Mourão, e o assessor econômico Paulo Guedes não participaram da coletiva, que aconteceu em menos de meia hora numa sala reservada do hotel Windsor Barra, na zona oeste do Rio. Em entrevista recente, o presidenciável afirmou que evitará que os dois tenham contato com a imprensa, por não terem “traquejo”. No mesmo local, acontece um encontro de Bolsonaro com os seus apoiadores.

Por cerca de 15 minutos, Bolsonaro falou abertamente, em seguida, permitiu que a imprensa fizesse algumas poucas perguntas. Apesar do grande número de representantes da imprensa presentes, para poucos foi dada oportunidade de questionar o candidato. A primeira inscrita da imprensa nacional, uma repórter da Folha de S. Paulo foi vaiada e hostilizada por apoiadores de Bolsonaro que cercaram a imprensa durante a coletiva. Foi preciso que o presidente do PSL, Gustavo Bebbiano, pedisse respeito à imprensa, para que se calassem e permitissem que a repórter fizesse sua pergunta.

“Valorizaremos a família e vamos fazer negócio com o mundo todo sem viés ideológico. Vamos jogar pesado na questão de segurança. Garantiremos sim a liberdade de imprensa, não tem aquela história de controle social. Vamos garantir o legítimo direito à defesa do cidadão. Falta pouco para começarmos a mudar o nosso Brasil”, discursou Bolsonaro.

O candidato disse ainda que vai valorizar a pesquisa tecnológica e que vai “garantir o legítimo direito à defesa do cidadão”, referindo-se ao direito ao porte de arma. “Queremos que a imprensa seja independente e tenha responsabilidade no que escreve”, complementou.

Bolsonaro ainda se posicionou sobre a morte do capoeirista baiano Romualdo Rosaldo da Costa, assassinado nesta semana por um admirador. “Não podemos admitir crime nenhum; se foi uma pessoa que votou em mim, dispensamos esse tipo de voto. Quem quer que seja, cometeu um crime, tem que pagar”, afirmou.

O candidato ainda negou que seja de extrema direita e que tenha contratado o marqueteiro de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para sua campanha. “Nós não temos recursos para pagar campanha”, disse o candidato.


Candidato à Presidência nas eleições 2018 pelo PT, Fernando Haddad apelou mais uma vez para que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) participe de debates frente a frente no segundo turno da disputa. “Por que entrevista pode e debate não?”, questionou o petista. “Da onde saiu essa prescrição médica? Gostaria de entender melhor.”

O petista acusou ainda o candidato do PSL de espalhar mentiras dizendo que, durante os governo do PT, o Ministério da Educação distribuiu o chamado kit gay nas escolas. “Ele não conhece escola pública, ridícula essa manifestação. Por isso que foge dos debates”, atacou Haddad. “Você acha certo ganhar voto mentindo contra seu oponente? Isso não tem nenhum cabimento.”

Nesta quinta-feira, 11, pela manhã, Haddad gravou e postou em suas redes sociais nesta quinta-feira, 11, um curto vídeo desafiando o adversário a participar de um debate na TV no segundo turno. “Deputado Bolsonaro, vem contar para o povo brasileiro o que você fez durante 28 anos no Congresso Nacional. Vem pro debate!”, diz o petista.

Na quarta-feiram 10, a equipe médica que supervisiona a recuperação do presidenciável recomendou que ele não participe de nenhum debate até o próximo dia 18. Com isso, foram cancelados os debates da TV Bandeirantes, Estadão/TV Gazeta, Rede TV/IstoÉ e SBT/Folha, previstos para ocorrer antes da próxima avaliação médica, no dia 18.

Horas mais tarde, Haddad disse a jornalistas novamente que quer debater com Jair Bolsonaro. “Por que entrevista pode e debate não?”, questionou o petista. “Da onde saiu essa prescrição médica? Gostaria de entender melhor.”


A exemplo de outros partidos, o MDB também decidiu liberar seus filiados para apoiar os candidatos Fernando Haddad (PT) ou Jair Bolsonaro (PSL) na disputa no segundo turno das eleições presidenciais. O presidente nacional do MDB, senador Romero Jucá (RR), disse há pouco que a legenda se posicionou pela neutralidade na corrida pelo Palácio do Planalto. “Estamos liberando os membros do MDB de votar com sua consciência”. Perguntado como o MDB se posicionará em relação ao próximo governo, Jucá disse que o partido ficará “independente” e que a legenda votará de acordo com os interesses do país. “Ser oposição é ficar contra o Brasil”, acrescentou. O MDB teve no primeiro turno o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles como candidato à Presidência. Ele recebeu 1.288.948 votos, o correspondente a 1,2% da votação, ficando em 7º lugar na disputa.

Agência Brasil


A corrida presidencial levou para o segundo turno dois candidatos que parecem ser completamente opostos, não apenas nos ideais políticos, mas também no perfil pessoal.

Os modos calmos do ex-ministro da Educação Fernando Haddad (PT) acabaram por lhe render o apelido de “tranquilão” – nas redes sociais, inclusive, há um perfil de humor chamado Haddad Tranquilão. Do outro lado, encontramos as maneiras agitadas do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), cujas reações variam entre a fanfarronice, quando bem humorado, à língua afiada, quando provocado.

Para saber mais sobre as origens de cada candidato, saiba um pouco sobre o  breve perfil dos homens que podem dirigir o Brasil a partir do ano que vem.


O presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) disse que não tem que discutir plano de governo com o seu adversário, Fernando Haddad (PT), porque o petista ”é um fantoche e que toda decisão que ele tem que tomar tem que ir para Curitiba conversar com o presidiário”. A declaração foi dada na frente da casa do empresário Paulo Marinho, onde o parlamentar passou esta terça-feira, 9, gravando vídeos da campanha eleitoral nas eleições 2018. O candidato citou um suposto vídeo de Haddad em que, segundo ele, o petista teria dito que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Operação Lava Jato, iria subir a rampa com ele – o conteúdo foi tirado do contexto original para parecer uma promessa de campanha. “Será que queremos de volta todos aqueles que, no governo do PT, mergulharam o Brasil na mais profunda crise ética, moral e econômica? Como é que fica o Brasil perante o mundo elegendo o cara que pede benção para presidiário, que tem uma infinidade de processos contra ele? Imagine os derrotados do PT ocupando ministérios. Quem vai ser o ministro da Defesa? O João Pedro Stédile? Quem vai ser o chefe da Casa Civil? José Dirceu? Será que nós queremos isso para o Brasil?”, disse. Bolsonaro afirmou também que recebeu “informes” de que o DEM desejaria fechar apoio a ele, mas que nada foi oficializado. “Independentemente de lideranças, muitos parlamentares e representantes de setores da sociedade tem declarado apoio a mim”, disse.

 

O candidato informou que ainda não fechou seus ministros, caso seja eleito. “Tem muita vaga sobrando ainda”, disse. Nesta terça-feira, o filho do presidenciável, o também deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), afirmou que o grupo de novos parlamentares eleitos e alinhados a Bolsonaro irá articular para que o próximo comando da Casa esteja também alinhado às bandeiras de seu pai. Ele destacou ainda que o escolhido não necessariamente precisará ser do seu partido. O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) fechou um acordo com os partidos de centro para desistir de disputar a Presidência da República em troca da garantia de ser reeleito presidente da Câmara após as eleições 2018. O PSL elegeu 52 deputados nestas eleições. Hoje, a legenda possui apenas 8 parlamentares.

 

O partido será a segunda maior bancada da Casa, ficando atrás apenas do PT. Bolsonaro também disse que, se for eleito, “vai acabar com a fábrica de marajás” de servidores públicos, um mote usado também pelo ex-presidente Fernando Collor. A afirmação foi feita após o candidato ser questionado sobre quais ajustes faria na reforma da Previdência. “Tem muitos locais no Brasil que o servidor público tem um salário X e tem um cargo de comissão que, depois de oito e dez anos, ele incorpora (no salário) o cargo de comissão. Vamos acabar com essa fábrica de marajás. Vamos fazer uma reforma da previdência justa”, disse. Bolsonaro afirmou também que, se eleito, vai procurar a equipe do governo de Michel Temer que trata do assunto e fazer a sua proposta “já para o corrente ano”. “Ainda não conversei com o Temer. Sendo eleito, buscarei com a nossa equipe a equipe dele para fazer a transição”, afirmou. O presidenciável disse que lamenta, mas que não tem a ver com episódios de violência registrados no País que teriam sido motivados por seus simpatizantes. O mais recente foi o do mestre de capoeira e ativista cultural negro Romualdo Rosário da Costa, morto por 12 facadas pelo barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana, que confessou ter agido por discussão política. Ele votou e defendeu o candidato do PSL à Presidência. “A pergunta (feita pelos repórteres) deveria ser invertida. Quem levou a facada fui eu. Se um cara lá que tem uma camisa minha comete um excesso, o que tem a ver comigo? Eu lamento, e peço ao pessoal que não pratique isso, mas eu não tenho controle. A violência e a intolerância vêm do outro lado e eu sou a prova disso”, afirmou. Questionado se o clima estava bélico, ele respondeu que “não está tão bélico assim, não”. “Está um clima acirrado, pela disputa, mas são casos isolados que a gente lamenta e espera que não ocorram”, afirmou Bolsonaro.


Após bate-boca entre o presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, e o candidato do partido ao governo de São Paulo, João Doria, os tucanos decidiram liberar os correligionários e não vão apoiar nenhum candidato no segundo turno da disputa presidencial entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). “Não apoiaremos nem o PT nem o candidato Bolsonaro. O PSDB decidiu liberar seus militantes e seus líderes”, anunciou Alckmin após reunião da executiva nacional que ocorreu na sede do partido, em Brasília. Ele pontuou que a liberação do partido significa neutralidade na campanha. Alckmin destacou que a posição é coerente com o que ele defendeu ao longo de sua campanha à Presidência da República. “Já vínhamos pontuando que extremos não são a solução”, defendeu. Em reunião acalorada, Alckmin chamou Doria de “temerista”.

 

O candidato tucano ao governo de São Paulo cobrava do partido mais ajuda financeira às campanhas dos candidatos a governos estaduais que passaram para o segundo turno. Alckmin interrompe Doria e diz: “Traidor, eu não sou”. Questionado sobre a discussão, Alckmin desconversou. “Divergências são naturais e não ocorrem pela imprensa. Não faço política pela imprensa”, afirmou. Doria, por sua vez, disse que Alckmin está com o “emocional abalado” por causa do “resultado inesperado” da eleição, onde saiu derrotado e recebeu menos de 5% dos votos. “Se Geraldo teve algum dissabor pessoal, da minha parte tem o meu perdão. Não foi nada que possa abalar as nossas relações pessoais”, declarou Doria à imprensa depois de deixar a reunião. Ele saiu antes do encontro terminar. Questionado sobre o seu resultado na disputa presidencial, Alckmin disse que foi uma campanha “atípica” e que “todos os partidos estão enfraquecidos”. Mencionou ainda o fato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estar preso e de Bolsonaro ter sofrido um atentado durante a campanha.

 

Após o PSDB declarar oficialmente que não apoiará nem Jair Bolsonaro (PSL) nem Fernando Haddad (PT) no segundo turno da campanha presidencial, o candidato petista afirmou que aposta em alianças com tucanos ligados ao ex-governador de São Paulo Mário Covas, ou seja, a ala mais histórica do partido. “Vai haver pessoas mais ligadas ao Mário Covas, que eu acho que tem outra perspectiva, existe uma social democracia ainda no PSDB e eu entendo que individualmente as pessoas possam se manifestar”, disse Haddad, destacando que respeita a deliberação da legenda tucana. Haddad negou que já tenha telefonado para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e também não afirmou se pretende buscar uma conversa com FHC. O presidenciável petista comemorou a adesão do PSB à sua candidatura, repetindo que quer montar alianças com todos os “democratas” e governar, se eleito, “para todos os brasileiros”.

Estadão Conteúdo


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, disse que vê o risco de ditadura no Brasil, seja de esquerda ou de direita, neste momento de polarização política. Em entrevista exclusiva ontem à noite à TV Brasil, Mello falou à jornalista Roseann Kennedy, que as instituições devem ficar atentas para inviabilizar qualquer tentativa de retrocesso.

“O risco [de ditadura] eu sempre vejo. Porque, certa feita, eu li um livro A Marcha da Insensatez, a história se repete. E, evidentemente, temos que estar atentos aos contornos. Claro que, eleito este ou aquele candidato, ele perceberá que precisa, por exemplo, do Congresso Nacional para governar. Perceberá que, estando na cadeira mais importante da República, deverá dar um exemplo em termos de observância da ordem jurídica”, declarou Mello.

O ministro afirmou ainda que não acredita que possa ocorrer retrocessos de imediato e alertou que não é possível “atropelar o que está estabelecido” para se alcançar determinado resultado. “Estamos vivenciando uma democracia há 30 anos. Não há espaço, de início, para retrocesso, mas as instituições precisam estar atentas, inviabilizando qualquer tentativa neste sentido de ter-se um retrocesso”.

Durante a entrevista, Mello lamentou que o país tenha chegado à radicalização. Ele avaliou que as urnas deram o recado de uma insatisfação muito grande com o contexto de escândalos, e o voto pretendeu modificar os representantes para que eles atuem pelo Brasil.

“Lamentavelmente nós chegamos à radicalização, aos extremos. E aí penso que falha a sociedade. A sociedade imagina que simplesmente não estejam sendo tomadas providências para combater essa mazela, esse mal maior que é a corrupção. E estão sendo tomadas providências, tanto que temos um ex-presidente da República preso. Certo ou errado, mas está preso, ou seja, a polícia vem atuando, o Ministério Público também e o Judiciário, revelando que a lei vale para todos, indistintamente. Agora nós temos o sufrágio universal, a escolha dos nossos representantes e aí prevalece a vontade do eleitor”, disse.