Agora é a modinha da vez políticos pegarem ar com todas as opiniões contrarias que não defendam seus interesses diante do eleitorado. E a imprensa é sempre cobrada para atender os caprichos e, apenas, transmitir a imagem que querem à população. Já há quem pegou ar e começou atacar profissionais de rádio e do Webjornalisno. Para essa classe de opressores, democracia é: eu mando, você obedece.

Mas, a única certeza que devemos ter, é que a eleição será diferente e qualquer tipo de informação se tiver teor distante da realidade, será velozmente desfeita pela participação da sociedade nas redes, que cresce a cada dia.

Uma matéria do site Correio24horas, pautou de forma técnica sobre as aglomerações no inicio da campanha eleitoral, reproduzida por diversos sites e lida por quase todos os programas jornalísticos no sistema radiofônico, elevando a opinião contraria da população baiana sobre eventos que desrespeitem  as orientações sanitárias e, quem já havia realizado sofreu uma enxurrada de críticas de adversários e dos que emitiram, sabiamente, opinião sobre o assunto.

Lógico, ninguém que havia realizado gostou das posições, mas, neste caso, quem errou não foram os profissionais da imprensa, quem errou não foi à sociedade contraria aos fatos, e sim os políticos e eles que devem pagar o ônus do ato. Não devem cobrar silêncio das pessoas, não tem esse direito, nem das que as servem.

O TRE já havia alertado a imprensa durante uma Live de orientações, com a participação da imprensa – onde o Itiruçu Online participou – e pediu a colaboração de todos para denunciarem atos de desrespeito frente a pandemia do novo coronavírus: compra de votos e atos que configurem crime eleitoral. É um desafio, pois muitos estão inseridos em factoides que servem a políticos, e a sociedade nunca será a prioridade que não os interesses pessoais. O que for levado à sociedade precisa obedecer a isonomia de igualdade e de oportunidades a todos os candidatos.

O Itiruçu Online se solidariza com todos os profissionais de imprensa, escrita e falada, que estão diariamente ao lado do povo, servindo à sociedade de forma séria e responsável sem nenhum atrelamento aos cofres públicos. É preciso coragem para continuar.

E, continuem na luta em favor da vida, pois a pandemia não acabou, não há vacina, mas existem os cuidados a serem seguidos. Se saírem de casa, usem máscaras. Não participem de aglomerações, assim você ajuda a cuidar de todos nós!


Tradutor profissional é a melhor opção? Escolher determinados serviços não é tarefa fácil, ainda mais se não tiver algum conhecimento da área ou for a primeira vez. Sem conhecer um profissional confiável, o jeito é recorrer à pesquisa na internet, recomendações de amigos e familiares ou buscar sites especializados sobre aquele assunto.
Para encontrar serviços de tradução, a fórmula é basicamente a mesma. E a dificuldade também. Na verdade, pode ser que seja ainda mais difícil, pois traduções podem ser bastante complexas: palavras que não possuam sinônimos em outra língua, interpretações distintas de um profissional para outro e a habilidade (ou falta dela) para escrever um texto que tenha conexão e não sejam apenas frases traduzidas e espalhadas ao longo do arquivo são apenas alguns dos pontos que podem tornar a tarefa mais complexa.

Opções não faltam no mundo da tradução

Procure pesquisar por expressões como “tradução online”, “serviço de tradução” ou “profissionais de tradução” e veja a quantidade de resultados. É muita opção! Mas isso não significa que sejam as melhores, pelo contrário. Quanto mais opções, maior a possibilidade de encontrar tradutores ruins. A boa notícia é que o inverso também ocorre: quanto mais opções, maior a possibilidade de encontrar tradutores bons. Separar o joio do trigo, entretanto, é tarefa complicada.
Preços mais altos podem indicar maior qualidade, mas não é uma verdade absoluta. Existem ótimos profissionais que cobram barato, bem como profissionais ruins que cobram caro. Na verdade, existe de tudo, inclusive pessoas despreparadas na função de tradutor.

Serviço de tradução profissional é um caminho

Apesar de não existir uma “faculdade de tradutor”, existem graduações, como Jornalismo e Letras, que costumam gerar tradutores de qualidade, pois trabalham com muitos textos e idiomas. Mas não significa que é obrigatório fazer uma dessas graduações – ou ter qualquer graduação – para ser tradutor profissional. Assim como não é necessário ter cursos, mas esses existem, e são importantes. Geralmente são tradutores mais experientes que passam seus conhecimentos para os demais, ou empresas que oferecem seminários e cursos na área. Realizar alguns certamente auxilia o profissional de tradução.

Outro ponto que qualifica o profissional é a experiência, afinal, dizem que a prática leva à perfeição, e quanto mais traduções forem realizadas pela pessoa, maior as chances de se tornar um tradutor melhor.
A chave para o sucesso, porém, é ter calma na hora de escolher quem vai traduzir o texto, artigo ou livro. E, claro, ficar esperto para não escolher uma opção ruim. O tradutor ser profissional, freelancer ou iniciante não necessariamente determina sua qualidade.


O JURAMENTO – Por Tom Scaldaferri. 

Num tempo em que uma sandália emborcada ou leite com manga eram coisas mais perigosas que buchada azeda, crendices e superstições campeavam soltas na minha Itiruçu dos anos 1960.

Num frio de doer os ossos, eu com meus cinco ou seis anos vestia grossas roupas de lã, pra se tentar evitar que minha garganta inflamasse e a falta de ar me sufocasse. Era um par de meias, calça, blusão e até um gorro com laterais que cobriam até as orelhas, TUDO DE LÃ. Eu ficava parecendo um piloto da primeira guerra.

Numa daquelas crises, JUREI que nunca mais tomaria um tal remédio para febre que tinha um gosto horrível. Então, a empregada Duzanjo muito preocupada, me levou até minha avó Izaltina pra que ela usasse algum artifício pra me convencer a quebrar o tal juramento e tomasse o remédio.

– Mas menino, toma logo antes que tu adoeça.
Pediu minha avó.

– Vovó Tina, eu jurei! Se eu quebrar o juramento é morte certa!
Respondi.

– “ÔXE”, e quem inventou isso?

– Zé de Toninho, meu colega de escola. Ele já fez catecismo.

– Tu pode morrer é se não tomar, sabia?
Disse ela na primeira tentativa.

– Vou arriscar!

– Olha, tu piorando vai ter que tomar benzetacil!
…Segunda tentativa.

– Melhor que morrer por ter quebrado o juramento!

Minha avó que era a mulher mais diplomática do mundo com crianças, pensou, pensou, olhou pra empregada e me disse:

– E Zé não te disse como é que se faz pra quebrar um juramento sem morrer, não?
Terceira tentativa.

– Não! E tem?

– Tem sim senhor: Segura esse copo aqui com a mão esquerda, cospe dentro três vezes, fecha os olhos bem fechados e bebe tudo bem ligeiro. Te garanto que tu não morre mais!

– E tu jura?

– “ÔXE”! Tu nunca mais me venha com essa prosa de juramento não, tá?

– Tá!
Acabei virando o copo e bebi o antitérmico todinho.

Mais tarde voltando do quintal, eu estava limpando a lama grudada no solado do meu Conga, e sem querer ouvi uma conversa entre elas:

– Mas Dona “Zartina”, a senhora fez o menino beber o remédio com cuspe!

– “BESTAGE”! Ele não já engole o cuspe dele o dia todo mesmo?

Alguns anos mais tarde, fiz uns testes na moderna clínica IDAB em Salvador e descobrimos que eu tinha ALERGIA A LÃ.


A realidade pandêmica, que ressurge ao longo da nossa história, desperta na sociedade o sentimento de aflição, angústia e medo. Diante do desespero social que se instala, os profissionais da linha de frente – valorosos combatentes do inimigo invisível – tem de manter a equanimidade temperada pela ciência, habilidade técnica e pela presteza de tomar difíceis decisões perante um incerto cenário de saúde.

Cabe aos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos, psicólogos e tantos outros profissionais, cumprir o milenar papel hipocrático de valorizar a vida. E cuidar daqueles que ficam doentes – neste caso, pelo Covid-19 que apresenta-se altamente contagioso e potencialmente letal sobretudo às camadas mais frágeis da sociedade. Portanto, carregando consigo a prudência, coragem, atenção, humildade e sensibilidade à dor alheia, tem modificado o efeito catastrófico do vírus. Vocação vem da palavra chamamento e, nesses momentos, os guerreiros são mobilizados a usar todos os seus potenciais para encarar o inimigo. Diversos deles viram pacientes e, muitos, tem a vida ceifada no “campo de batalha”.

As crises podem trazer progressos. Lutar e superar são palavras de ordem. O empenho e dedicação dos mais variados meios científicos mundiais, tem apontado estratégias e prováveis soluções para abater o vírus em definitivo. Estamos mais próximos do seu fim, apesar das dificuldades. Seja nas tentativas de protocolos com compilado de medicamentos (antivirais, anticoagulantes, antibióticos, plasma, antimaláricos etc.) que possam impedir a tempestade imunológica que acomete o organismo do paciente, seja pelo desenvolvimento de vacina – em franco processo de concretização -, ou até mesmo pelos pujantes estudos que dão evidências científicas do que traz benefícios aos doentes. A medicina é observacional, não exata e como dito por William Osler, é a ciência da incerteza.

O coronavírus inegavelmente, de forma muito rápida, paralisou e mudou o modo como o mundo funciona. Fomos obrigados a mudar hábitos e repensar conceitos que carregamos ao longo de toda a vida. Sem dúvida, o pós-pandemia estará de braços dados ao trauma coletivo gerado na turbulência das incertezas físicas e mentais. Contudo, seguir adiante olhando à frente fará com que superemos as aflições e tiremos os melhores aprendizados.

Em suma, a ordem natural da doença nos mostrará o tão esperado fim da pandemia e o futuro tratará desse conflito nos autos da história da humanidade. A sociedade arraigada de perdas e sequelas reerguer-se-á ao seu modo de naturalidade, como vimos em campos de guerra. Assim, até chegar essa hora, sigamos trabalhando duro para o enfrentamento e que possamos todos ser melhores nos piores momentos. “Quem supera a crise supera a si mesmo sem ter sido superado.” Vida e saúde a todos.

Por Tiago A. Fonseca Nunes- Médico


Logo após o carnaval, inicia o período em que os contribuintes do País inteiro devem enviar suas declarações de Imposto de Renda ao Leão. O prazo começa em 2 de março e termina em 30 de abril de 2020, data limite para que todos os contribuintes tenham finalizado o processo. Somente em Itiruçu, existem 490 contribuintes, dos quais 195 declaram pelo modelo completo e 295 enviam pelo modelo simplificado. Para se ter uma noção em valores, no município, R$ 27 milhões é o total, em reais, do que os contribuintes possuem para declarar em bens e direitos (como investimentos financeiros, por exemplo). Já R$ 1,6 milhões é o total de dívidas e ônus dos contribuintes do município.

Saiba quem é obrigado a declarar Imposto de Renda

Vale lembrar que o Imposto de Renda declarado em 2020 refere-se ao chamado ano-calendário 2019, ou seja, o contribuinte deve declarar seus rendimentos e gastos realizados no ano passado. E esses 490 contribuintes em Itiruçu não estão somados à toa.

A Receita Federal definiu, para o ano de 2020, quem deve informar ao Leão, obrigatoriamente. Entenda quem está obrigado a enviar a declaração, tendo como referência o ano passado:

  • quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70;
  • contribuintes que receberam rendimentos isentos acima de R$ 40.000;
  • aqueles que tiveram, em qualquer mês do ano passado, ganho de capital na venda de bens ou realizaram operações na Bolsa de Valores;
  • quem optou pela isenção de IR na venda de um imóvel residencial para comprar outro, se as duas transações ocorreram dentro de, no máximo, 180 dias;
  • aqueles que, até o último dia do ano a ser declarado, tinham posses somando mais de R$ 300 mil;
  • pessoas que alcançaram a receita bruta acima de R$ 142.798,50 em atividades rurais;
  • todos aqueles que passaram a morar no Brasil, em qualquer mês do ano passado.

Se você está incluído em qualquer um dos itens listados acima, prepare-se para enviar a sua declaração também.

Declarar o Imposto de Renda é fácil

Apesar de o próprio símbolo da Receita Federal ser um Leão, um animal poderoso e amedrontador, o processo obrigatório não precisa ser feito com medo ou tensão. Para declarar, é preciso juntar todos os documentos que comprovam tanto as receitas (ou rendimentos) quanto as despesas. Informe de rendimentos das fontes pagadoras, contratos de compra e venda, de investimentos com corretora de valores e despesas médicas são documentos obrigatórios para quase todos os cidadãos.

As documentações citadas acima são exemplos das mais comuns, mas não são as únicas exigidas. Lembre-se que cada rendimento e cada despesa precisa ser comprovado e, portanto, é possível que cada contribuinte possua outras a apresentar. Junte e organize todas elas e comece a declarar o Imposto de Renda.

Existem muitas maneiras de enviar a declaração, sendo uma das mais conhecidas a contratação (e, portanto, gasta-se com) um contador. Entretanto, é possível fazer de graça.

Declarando o Imposto de Renda gratuitamente

Para fazer sozinho, o contribuinte deve fazer o download do programa oficial, no site do governo, e preencher todos os campos obrigatórios, prosseguindo até que consiga emitir o recibo de entrega. Por outro lado, se isso ainda parece complicado (e, de fato, algumas perguntas do sistema oficial podem conter termos bem complexos), há ainda outra solução, que é gratuita e super fácil de usar. A Leoa, que se apresenta como assistente virtual (ou seja, um robô que faz a declaração do Imposto de Renda para o contribuinte), possui uma ferramenta própria para que o contribuinte envie sua declaração, de modo tão seguro quanto o oficial, mas sem os termos difíceis e sem deixar passar nada, porque utiliza a inteligência artificial. E totalmente sem custos para o declarante!

Vale lembrar que, quanto antes for concluída a declaração, o contribuinte tem mais chances de restituir logo nos primeiros lotes.

O que é a restituição?

A restituição do Imposto de Renda é o momento em que o Leão devolve o dinheiro aos contribuintes que pagaram mais impostos do que deveriam. Em outras palavras, grande parte dos contribuintes têm os Impostos de Renda retidos na fonte pagadora, ou seja, a empresa em que trabalha, por exemplo, já tira parte do valor do salário, por mês, e encaminha ao governo. Se, ao final do ajuste de contas o governo perceber que o contribuinte pagou a mais do que deveria, ele devolve o valor, corrigido pela Selic, a taxa de juros básica do País.

E, somente em Itiruçu, o governo irá restituir R$ 247 mil aos contribuintes. Portanto, fique atento à data da entrega da sua declaração e, depois, aos lotes de restituição, para saber exatamente quando você restituirá, se tiver algo a receber. Portanto a dica é enviar o quanto antes para, se for o caso, restituir também o quanto antes. Contudo, é preciso organização dos documentos comprovantes das despesas e rendimentos: comece a separá-los.

Artigo de Leandro Santos- Jornalista Contábil.


Mais uma decisão favorável às vítimas de violência doméstica. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o INSS deverá arcar com o pagamento de auxílio-doença quando mulher tiver de se afastar do trabalho para se proteger de violência doméstica. Na prática, quando uma mulher estiver sofrendo ameaça ou risco de vida, a mesma poderá solicitar o afastamento do trabalho via INSS para se proteger sem temer perder o emprego.

Segundo o advogado e professor de Direito Previdenciário, André Luiz Bittencourt, a decisão é a primeira no país e leva em consideração o risco social do auxílio-doença que é a impossibilidade para o trabalho. No entanto, ainda é cedo para afirmar que a decisão gera jurisprudência, ou seja, passará a ser seguida em outros processos. “A partir do momento que a mulher está sofrendo ameaças ou risco de morte pode-se entender que, num primeiro momento, ela tem incapacidade parcial psicológica para o trabalho. Neste sentido, a decisão é acertada”.

O advogado entende que para ter direito ao benefício a mulher teria de ser segurada do INSS, ou seja, contribuir com a Previdência Social. Na decisão, no entanto, o STJ entende que “tais situações ofendem a integridade física ou psicológica da vítima e são equiparáveis à enfermidade da segurada, o que justifica o direito ao auxílio-doença, até mesmo porque a Constituição prevê que a assistência social será prestada a quem dela precisar, independentemente de contribuição”.

O lado bom da decisão, de acordo com o professor, é o Estado pagando para que essa mulher tenha assegurado o direito à vida, já que pode não estar cuidando da segurança dela. “Nada mais justo já que o Governo não cobre o risco de um lado que cubra de outro”.

Na decisão ficou definido que o juiz da vara especializada em violência doméstica e familiar – e, na falta deste, o juízo criminal – é competente para julgar o pedido de manutenção do vínculo trabalhista, por até seis meses, em razão de afastamento do trabalho da vítima, conforme previsto no artigo 9º, parágrafo 2º, inciso II, da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006).


Naquele dia, saí do escritório mais cedo. Tinha que passar em casa rapidamente, arrumar a mala e seguir para o aeroporto. No dia seguinte, teria uma sessão de gravação de vídeos em Curitiba, parte de um sensacional projeto de atualização para médicos, que envolve temas de medicina e também de gestão e de humanidades. O escritório é pertinho de casa, em um bairro tranquilo de São Paulo. Menos de cinco minutos a pé, com apenas duas ruas para atravessar. Fica numa casa de vila, em uma rua sem saída, com calçadas estreitas e sem movimento, por isso todos usam a rua como uma espécie de calçadão. Só que, ao caminhar pela ruazinha, chega-se à rua transversal sem pisar na calçada, ou seja, sem a percepção clara de que se está saindo de um lugar para pedestres para outro, onde os carros e as motos são soberanos. Mas tudo bem, porque mesmo nessa ruazinha, o movimento é pequeno. Eu estava caminhando com a cabeça já focada nas atividades do dia seguinte, mas com a atenção normal, olhando o futuro, sentindo o presente. Foi quando cheguei ao encontro da ruazinha com a rua propriamente dita, e o destino fez das suas.

A motocicleta vinha em uma velocidade superior à permitida, talvez estimulada pelo pouco movimento e, ao tentar desviar de uma tampa de bueiro, o motoqueiro acabou por invadir a confluência das duas vias, onde, na maior inocência, estávamos eu, meus pensamentos, minha agenda apertada e minha perna direita que, até então, estava inteira. O motoqueiro até tentou frear, mas o resultado foi uma colisão frontal. Consequência: fratura da tíbia direita, ambulância, hospital, cirurgia, imobilização, muletas, fisioterapia e, claro, repercussão em toda uma agenda de trabalho. Definitivamente, não era isso que eu tinha combinado com o destino para aqueles dias. Mas, como sabemos, o destino não é muito de cumprir o combinado…

O bom de ficar quieto é que se ganha tempo para pensar e, entre todos os tipos de devaneios, percebi que a quantidade de vezes em que planejei algo que acabou sendo diferente é, simplesmente, imensa. “Já combinaram com os russos?”, perguntou Garrincha a Vicente Feola, antes do jogo contra a então União Soviética, após a preleção do treinador, em que ele mostrou uma estratégia infalível que havia desenhado para ganhar o jogo. Alguns dizem que é lenda, outros afirmam que é verdade, que o Mané, com toda sua inocência e simplicidade de raciocínio, escreveu, em uma frase, uma verdadeira tese de lógica. Sem conhecer nada sobre os fundamentos da estratégia, muito menos da teoria dos jogos, ele percebeu que, na execução de qualquer plano, seja de uma viagem, um negócio, uma política econômica, um almoço de domingo ou um jogo de xadrez, é impossível prever todos os movimentos das forças que não controlamos.


A tragédia causada pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, a 57 quilômetros de Belo Horizonte.

A tragédia de Brumadinho, além de toda a consternação nacional e da solidariedade de todos, merece uma reflexão importante sobre esse tipo de problema no Brasil: nesse caso da barragem da Vale, como acontece com numerosos outros empreendimentos e obras em nosso país, a legislação de entrada, alvarás, autorizações e licenças ambientais parecem em conformidade. No entanto, a fiscalização e o acompanhamento são capengas. Essa contradição é marcante na cultura brasileira.

Há no País mais de 30 órgãos com capacidade de fiscalização ambiental, muitos deles até mesmo com sobreposição de competências. Talvez seja este um dos problemas, pois algo que muitos cuidam acaba sendo relegado, com a diluição das responsabilidades. Uma questão que lembra a velha máxima de que “cachorro com muitos donos morre de fome”. Ministério Público, Agência Nacional de Água, Agência Nacional de Mineração, Ibama, Tribunais de Contas…. Todos poderiam e deveriam fiscalizar, mas não fizeram. Tantos organismos onerosos para o Estado e nenhum cumpriu sua missão em Brumadinho.

O Brasil tem uma legislação forte para todo o processo de liberação de obras e empreendimentos, mas peca muito no acompanhamento, fiscalização e prevenção. Tivemos, há pouco tempo, o rompimento da barragem de Mariana, do mesmo grupo empresarial da Vale, que também foi um evento gravíssimo. À época, houve toda uma reverberação, alertas e discursos de autoridades e analistas. Porém, passado o impacto, o tema foi esquecido e se manteve a ausência de fiscalização e acompanhamento.

O Brasil tem, ainda, a Política Nacional de Segurança em Barragens, instituída pela Lei 12.334, de 20 de setembro de 2010, que estabelece procedimentos para a segurança de barragens destinadas à acumulação de água, à disposição final ou temporária de rejeitos e à acumulação de resíduos industriais. No entanto, a norma não foi implementada em termos práticos.


A história do nosso país nunca foi monótona. Guerras e conflitos sempre foram uma marca registrada em nosso cotidiano.

1912 em especial, foi um ano turbulento. A cidade de Jequié, à época um insignificante amontoado de casas, sem estradas, energia ou telégrafo, NUM SUSTO, tornou-se a CAPITAL DO ESTADO DA BAHIA através de um decreto expedido pelo Deputado e Presidente da Câmara Aurélio Rodrigues Viana, natural daquela localidade, quando tentava através de uma manobra política evitar a posse do opositor para o cargo de Governador do Estado.

Foi o bastante para se acender o estopim da crise que deu início às retaliações provocadas pelo grupo de J. J. Seabra, o qual apoiado pelas FORÇAS ARMADAS locais, culminou com o bombardeio e destruição de diversos prédios públicos, inclusive a antiga Biblioteca Central da Bahia.

Como diz o ditado popular defendido por alguns:
“Um pouco de violência sempre se resolve um impasse”, o pessoal do “deixa disso quieta acomoda”, aplicou uns “panos quentes” e o grupo de Rui Barbosa acabou cedendo a posse para o novo Governador José Joaquim Seabra, cuja primeira realização foi a construção com padrão europeu da moderníssima Avenida Sete de Setembro.

Sob gritos e protestos, diversas construções de valor histórico inestimável vieram abaixo. A exceção foi a Igreja de São Bento, no qual a Santa Sé num rompante de força política, “botou o dedo no suspiro” modificando o projeto original e manteve intacta aquela obra de arte. Já a antiga Igreja de São Pedro não teve a mesma sorte, que demolida foi substituída por uma pracinha com um sofisticado relógio de quatro faces fabricado na França, e batizados com o mesmo nome:
“PRAÇA E RELÓGIO DE SÃO PEDRO”..

No “frigir dos ovos” anos mais tarde finalmente, o povo já feliz e esquecido DE TUDO, agitou as bandeirinhas comemorando a inauguração do novo equipamento. E sobrevividos Chicos e Franciscos, o Corredor da Vitória foi supervalorizado, disputado e ocupado pela mesma oligarquia há pouco hostilizada pela força.

Jequié ganhou notoriedade, investimentos e força política.
Com o avanço das culturas do café, cacau e mamona, a localização central e estratégica da cidade apelidada de CHICAGO BRASILEIRA, logo passou a ofuscar a metrópole vizinha Maracás e tornou-se um ponto de convergência de crescimento e poder.

Finalmente, a mídia através do recém fundado jornal A TARDE, tratou de convencer alguns últimos remanescentes da sociedade insatisfeita, de que “NÃO SE FAZ OMELETE SEM QUEBRAR ALGUNS OVOS!”

Tom Scaldaferri, 30/12/2018.


Para quem nunca leu A REVOLUÇÃO DOS BICHOS de George Orwell, esta é uma boa ocasião para tal. O novo governo ainda nem começou e já se visualiza um horizonte de clima tão previsível quanto o do enredo da trama de Orwell!

MDB, DEM, organizações fundamentalistas e antigos setores como o da indústria e do sistema financeiro, os quais estes dois últimos, que sempre mandaram e desmandaram nos destinos do nosso país, irão prensar a cúpula do novo poder como um moedor de cana, pra tirar deles o máximo de caldo que puderem.

O MDB, com seu currículo de vasta experiência em corrosão do sistema público, que mesmo estando tão sujo quanto um pau de galinheiro, sorrateiramente já foi convidado para a festa e já se instalou no organismo com um ministério. E a tendência é ir se infiltrando pelas beiradas igualzinho a fogo no monturo até transformar tudo em cinzas!

Os radicais fundamentalistas cristãos, se fixarão de forma tão implacável nas entranhas das instituições públicas, que de agora em diante, seus tentáculos se proliferarão nas mentes e nas contas correntes dos menos esclarecidos, só que agora de forma institucionalizada.

Como defendo meu sustento na iniciativa privada e abomino a tirania falida do comunismo, assim como as injustiças do capitalismo selvagem, torço para que o Brasil volte aos trilhos. E tenho certeza de que em muitos aspectos, realmente muito se fará melhor.

Visualizo mais segurança nas ruas, que certamente evoluirá de forma substancial com a repressão aos bandidos sem pedigree. A polícia (mais do que justo), será mais respeitada e terá mais apoio para agir contra a ousadia atual da bandidagem.

Nas escolas públicas, os professores voltarão a ser autoridades e o ambiente escolar voltará a ser seguro e respeitoso.

Na economia, espero a queda mais acentuada dos juros e mais acessibilidade ao capital para investimentos.

Embora não deixe de ser um upgrade em nosso cootidiano, meu otimismo pára por aí. Pois acredito que mais dia menos dia, o atual sistema podre seja substituído por outro mais sofisticado. E com a oposição combalida, o terreno será mais fértil que antes!

E como foi finalizado no livro
A REVOLUÇÃO DOS BICHOS:
“…e depois de algum tempo, não se sabia mais quem era bicho nem quem era gente!”

Tom Scaldaferri, 09/12/2018.