Capital e interior mantêm tradição do Terno de Reis 

Este sábado, 6, é o dia mais importante para os grupos que mantêm viva a tradição dos Reisados na capital e no interior baiano. Na noite desta sexta-feira, 5, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Lapinha), após a missa celebrada às 18h, ocorreu o tradicional desfile dos Ternos de Reis.

A pesquisadora Sue Ribeiro mantém o Terno de Reis Alvorada, há 36 anos, e diz que é uma forma de homenagem aos Reis Magos “que simbolizam a integração das nações”. Ela revelou que Salvador já teve mais de 70 grupos, mas que este ano devem sair apenas sete. Nesta sexta, o grupo Alvorada desfila do Pelourinho até a Lapinha.

Em Correntina (a 907 km de Salvador e Santa Maria, ambos no vale do rio Corrente), cerca de 30 comunidades terão missas, rezas, batuques, cantorias e distribuição de almoços que marcam a data.

Com estimativa de ter cerca de mil grupos no estado, a cultura trazida para o Brasil pelos colonizadores é preservada em comunidades rurais e também nas cidades por grupos familiares, de amigos e vizinhos, na sua grande maioria, com recursos próprios, pagamento de promessas e também por meio de ‘esmolas’.

Manifestação ligada ao catolicismo, que festeja a chegada dos três reis magos para visitar e presentear o menino Jesus, o evento é uma alusão à passagem bíblica que encerra a programação de Natal, disse a agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Albetânia Santos.

“A manutenção espontânea destes grupos tem uma conexão intrínseca de cada um dos membros com o seu território. É a confirmação deles de que as suas terras são um lugar para viver, ser feliz e manifestar sua fé, por isso, eles as defendem e não querem sair dela”, disse.

Parte dos grupos do rio Corrente, que começaram a folia no dia 25 de dezembro, tiveram a manifestação filmada e fotografada por uma equipe da CPT Bahia, em um trabalho de registro e preservação do costume.

Os reisados peregrinam com as bandeiras, músicos, cantores e biscoiteiros, como são chamados os acompanhantes, pelas casas de sua região. “Eu já tinha lido sobre, mas nunca participado. Percebi que a relação das pessoas com o reisado e com o lugar que habitam é muito profunda. Muitos moram fora e voltam para participar da reza, cantoria e dança”, afirmou o fotógrafo da CPT, Thomas Bauer.

Resgate

A pesquisadora Sue Ribeiro explicou que a diferença entre Folia de Reis e Terno de Reis está na base musical. Os ternos estão basicamente no Recôncavo e no Baixo Sul e usam orquestra. As folias estão nos demais lugares do estado e se caracterizam pelo uso de pífanos, zabumba, sanfona e violão.

Também na região de Jequié (a 372 km de Salvador), a tradição se mantém, embora com redução de grupos. “Queremos fortalecer e resgatar os grupos que deixaram de sair”, afirmou o jornalista e professor universitário Domingos Ailton que tem um projeto para mobilizar a juventude a dar continuidade ao movimento.

*Informações do Atarde.


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