BA lidera nº absoluto de homicídios no país em 2017, diz pesquisa; homens, negros e jovens são maioria das vítimas

A Bahia foi o estado do país que registrou, em números absolutos, a maior quantidade de homicídios do Brasil no ano de 2017 (7.487 mortes), segundo dados do Atlas da Violência, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Homens, negros e jovens são a maioria das vítimas. O levantamento foi divulgado na quarta-feira (5). Em comparação com 2016, quando foram contabilizadas 7.171 mortes, houve um aumento no número absoluto de 4,4%. Em dez anos (de 2007 a 2017), o aumento foi de 104,6%.

A Bahia, em 2017, ainda segundo o Atlas, teve taxa de 48,8 mortes violentas para cada 100 mil habitantes (5ª maior taxa entre os estados brasileiros), número 3,9% maior que o registrado em 2016, que fechou com taxa de 46,9 para cada 100 mil habitantes. Em 10 anos (de 2007 a 2017), a taxa de homicídios no estado aumentou 87,8%, conforme a pesquisa.

O número total de mortes no estado apontado pelo Atlas indica o registro de 572 mortes a mais que o divulgado pelo próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública em seu anuário (correspondente ao ano de 2017), que tem como base os dados das secretarias da Segurança — o anuário apontou que, em 2017, 6.915 homicídios foram contabilizados no estado. Os dados do Atlas, por sua vez, são do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.

A Bahia é o estado do país que apresenta a maior diferença dos dados apresentados pelo Atlas e os do anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O Amazonas aparece em segundo lugar, com uma diferença de 403 mortes entre os sistemas de informação da saúde e da segurança. O governo da Bahia contesta os dados do Atlas da Violência. Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública do estado (SSP-BA) ressaltou que desconhece a metodologia empregada pela pesquisa e sequer teve acesso ao conteúdo e que, portanto, não comentará os dados apresentados. A SSP-BA diz que fechou 2018 com uma redução de 11% das mortes violentas na Bahia, menor número dos últimos seis anos. Por fim, destaca que nos cinco primeiros meses de 2019 a queda está em 14,8%, números divulgados também por pesquisas de outros institutos. Em todo o Brasil, 65.602 pessoas foram assassinadas em 2017, segundo o Atlas. O número indica o registro de 1.707 mortes a mais que o divulgado pelo próprio fórum em seu anuário. Trata-se do maior nível histórico de letalidade violenta intencional no país, que atingiu uma taxa de 31,6 mortes violentas para cada 100 mil habitantes.

Taxa de homicídios no Brasil — Foto: Diana Yukari/G1

Taxa de homicídios no Brasil — Foto: Diana Yukari/G1

 

Vítimas

 

O Atlas chama a atenção para o que classifica de “juventude perdida”. É que os jovens de 15 a 29 anos formam a parcela mais atingida pela violência. Na Bahia, o levantamento aponta que homens, negros e jovens com menos de 30 anos são a maioria das vítimas de homicídios em 2017.

Das 7.487 mortes no estado, 7 mil foram de homens (93% do total), 6.798 de negros (90%) e 4.522 tinham entre 15 e 29 anos (60%). Entre homens jovens, a taxa é de 228,7 mortes por 100 mil habitantes. Considerando somente o público jovem (homens e mulheres), a taxa é de 119,8 para cada 100 mil habitantes.

Em todo o Brasil, foram assassinados 35.783 jovens, uma taxa de 69,9 mortes a cada 100 mil – recorde dos últimos 10 anos.

Taxa de homicídios de jovens no país — Foto: Guilherme Gomes/G1

Taxa de homicídios de jovens no país — Foto: Guilherme Gomes/G1

Violência contra a mulher

 

O número de homicídios de mulheres na Bahia saltou de 441 em 2016 para 487 em 2017, elevação de 10,4%. Dentre as 487 mulheres assassinadas em 2017, 85% eram negras, segundo o Atlas.

Em todo o país, o Atlas também mostra que houve um aumento nos homicídios de mulheres em 2017 – fenômeno já registrado pelo Monitor da Violência do G1. O número, porém, também é maior que o divulgado pelas autoridades de segurança. Foram 4.936 mulheres vítimas, de acordo com os registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde.

Se for levada em conta a última década, de 2007 a 2017, houve aumento de 30,7% no número de homicídios de mulheres. A taxa passou de 3,9 para 4,7 assassinadas a cada 100 mil. Dentro desse universo, destaca-se a desigualdade racial entre as vítimas de assassinatos.

“Enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras teve crescimento de 1,6% entre 2007 e 2017, a taxa de homicídios de mulheres negras cresceu 29,9%. Em números absolutos a diferença é ainda mais brutal, já que entre não negras o crescimento é de 1,7% e entre mulheres negras de 60,5%”, diz o estudo.

Segundo o Atlas, de 2012 a 2017, houve aumento de 1,7% na taxa de homicídio de mulheres em todo o país. Quando os dados são desmembrados, o homicídio de mulheres fora da residência diminuiu 3,3% no período, mas aumentou 17,1% dentro das casas.


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